Eleições 2026

Radar das Eleições: Flávio Bolsonaro estanca queda e reforça polarização com Lula, enquanto terceira via segue sem tração

05 ago 2026, 20:03 - atualizado em 05 ago 2026, 20:04

O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) na última rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus foi o tema do segundo episódio do “Radar das Eleições“, podcast do Money Times. O levantamento trouxe o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apenas 1 ponto percentual atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno.

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Convidado desta edição do programa, o economista e analista da Empiricus Matheus Spiess avalia que, apesar das crises enfrentadas pelo senador nos últimos meses, sua candidatura conseguiu interromper a perda de apoio e voltou a ganhar força.

“Na ausência de uma crise nova, ele consegue estancar a sangria. Isso não significa que tenha resolvido os problemas da campanha, mas voltou a ganhar um pouco de tração”, afirmou o economista. Para ele, a elevada rejeição de Lula também contribui para manter o adversário competitivo.

Gustavo Porto destacou que Flávio Bolsonaro permaneceu no centro do noticiário durante toda a pré-campanha, reproduzindo um fenômeno semelhante ao vivido por Jair Bolsonaro em 2022.

“O Flávio Bolsonaro nunca saiu do noticiário. É bom lembrar que o pai dele quase foi reeleito presidente da República diante de muita notícia negativa”, observou.

Cansaço do eleitor

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Na avaliação de Spiess, a principal dificuldade enfrentada por Lula decorre de um desgaste natural após décadas ocupando posição central na política brasileira.

“O modelo de gestão econômica lulopetista encontrou seus limites. Hoje ele gira a mesma maquininha de crédito subsidiado e programas sociais, mas o crescimento é menor e desacelera”, afirmou. Segundo ele, a população sente os efeitos da perda de poder de compra e da baixa produtividade da economia, ainda que não associe diretamente esses fatores às políticas públicas.

O economista argumentou que medidas de curto prazo, como ampliação do crédito subsidiado, não atacam os problemas estruturais do país. “Você quer resolver produtividade? Vai precisar de cinco a 10 anos. Não existe solução rápida. O que vemos são remendos e puxadinhos, tanto da direita quanto da esquerda”, disse.

Terceira via continua improvável

Sobre a possibilidade de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se tornarem uma terceira via competitiva nas corrida eleitoral, Spiess afirmou considerar possível, mas pouco provável, uma mudança no quadro eleitoral.

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“O cenário-base continua sendo um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro”, afirmou. Segundo ele, lulismo e bolsonarismo perderam força ao longo dos anos, mas ainda preservam bases eleitorais suficientemente sólidas para dificultar o avanço de candidaturas alternativas.

São Paulo deve ser decisivo

O programa destacou que São Paulo tende a desempenhar papel decisivo na definição da eleição presidencial, repetindo o protagonismo observado em 2022.

“Lula concentrou muito esforço em São Paulo justamente para manter essa mobilização. É o maior colégio eleitoral do país”, afirmou Porto. Spiess concordou com a avaliação e acrescentou que o eleitor moderado paulista deverá ser um dos principais alvos da campanha de Flávio Bolsonaro.

Segundo os debatedores, a estratégia do senador tem sido suavizar a própria imagem para dialogar com o eleitor de centro, especialmente o público feminino, sem perder o apoio da base bolsonarista.

Dificuldade para ampliar alianças

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Outro ponto discutido foi a incapacidade de Flávio Bolsonaro de formar uma ampla coligação de centro-direita, apesar de aparecer competitivo nas pesquisas.

Na avaliação dos debatedores, a neutralidade de partidos como União Progressista e Republicanos retirou da campanha nomes considerados fortes para a vice-presidência, como Tereza Cristina e Daniella Marques, além de reduzir significativamente o tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio.

Spiess afirmou considerar “estranho” que uma candidatura competitiva ainda não tenha conseguido atrair o apoio das principais legendas do Centrão, levantando a hipótese de que esses partidos prefiram preservar espaço político no Congresso independentemente do resultado presidencial.

Mercado já antecipou cenário eleitoral

Na reta final do programa, Spiess avaliou que o mercado financeiro já precificou boa parte do cenário eleitoral. Segundo ele, episódios como o chamado “trade Tarcísio”, a recuperação da candidatura de Flávio Bolsonaro e mudanças nas expectativas fiscais já provocaram movimentos relevantes na Bolsa, no câmbio e nos juros ao longo dos últimos meses.

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“O mercado antecipou muito esse debate. Hoje o principal canal de transmissão continua sendo a percepção fiscal”, afirmou, acrescentando que investidores aguardam propostas concretas de ajuste das contas públicas por parte dos candidatos.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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