Raízen (RAIZ4) sobe na Bolsa com avanço em negociações para reestruturação da dívida
As ações da Raízen (RAIZ4) subiam 6,35% por volta das 14h11 desta quarta-feira (18), após novas informações sobre possíveis alternativas para reforçar o caixa da companhia. Segundo o Pipeline, do Valor Econômico, a Shell teria apresentado uma proposta diferente da alternativa discutida pela Cosan (CSAN3) e por fundos do BTG.
A Raízen encerrou o último trimestre com uma dívida de R$ 55,3 bilhões, e diferentes caminhos para reduzir a pressão financeira estão sendo avaliados. A companhia é controlada por Shell e Cosan, que detêm 44% do capital cada, enquanto os 12% restantes estão em free float.
A proposta inicialmente colocada na mesa previa a conversão de 25% da dívida em ações, além da cisão da Raízen em duas empresas — uma focada em açúcar e etanol e outra concentrada na operação de combustíveis. As duas companhias seriam listadas em bolsa.
Nesse desenho, o braço de commodities receberia cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões de Rubens Ometto — controlador da Cosan — e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell. Outro pilar envolveria o BTG Pactual, com um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões via fundos de private equity.
De acordo com o Pipeline, porém, a Shell estaria disposta a seguir por um caminho mais simples, sem a necessidade de dividir a companhia, oferecendo um cheque maior.
Shell propõe capitalização mais robusta
A nova proposta prevê uma capitalização de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões aportados pela Shell e o restante pela Cosan. Em um segundo momento, os controladores poderiam ampliar a injeção de recursos e realizar um follow-on para captar capital adicional no mercado.
Paralelamente, a Raízen segue com o plano de desinvestimentos e já levantou R$ 5 bilhões nos últimos 12 meses. A venda de ativos na Argentina deve ser concluída até o fim do ano. A meta da companhia é reduzir a alavancagem para um intervalo entre 2 e 2,5 vezes ao final do processo.
Após a divulgação dos resultados do 3T26, na semana passada, o CEO Nelson Gomes afirmou que as controladoras estão comprometidas em capitalizar a joint venture para enfrentar o elevado nível de endividamento.