Wall Street

Rali em Wall Street: Mercado está menos preocupado com guerra e prioriza outros 2 fatores, avalia estrategista-chefe do UBS WM

01 maio 2026, 12:00 - atualizado em 01 maio 2026, 12:05
dow jones wall street
(Imagem: REUTERS/Brendan McDermid)

Dois dos principais índices de Wall StreetS&P 500 e Nasdaq – bateram recordes em sequência nas últimas semanas, impulsionados pelo otimismo do mercado em relação às ações de tecnologia, mesmo em um cenário de incertezas com a guerra no Oriente Médio.

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Nesta última quinta-feira (30), o S&P 500 fechou aos 7.209,01 pontos e o Nasdaq aos 24.892,31 pontos, nos maiores níveis nominais históricos. No mês, os índices saltaram mais de 10% e 15%, respectivamente, registrando os melhores desempenhos mensais desde 2020.

O movimento ocorreu após a divulgação do balanço corporativo do primeiro trimestre de 2026 (1T26) de quatro big techs, a Alphabet (dona do Google), Amazon, Meta Platforms e Microsoft.

Os resultados das companhias superaram as expectativas do mercado, levando Wall Street a uma nova rodada de otimismo. No entanto, o baixo investimento da Meta e Microsoft pesaram nas ações, que recuaram 7% e 4%, respectivamente.

Impacto das IAs

Em entrevista ao Money Times, o estrategista-chefe de investimentos do UBS WM no Brasil, Ronaldo Patah, avalia que as notícias ligadas à inteligência artificial (IA) nos últimos dois meses, desde que a guerra entre Estados Unidos e Irã começou, foram o principal vetor dos índices norte-americanos.

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Segundo ele, várias operações de compra de participação, também conhecidas como deals de private equity, saíram no período, como o laboratório de IA do Jeff Bezos, fundador da Amazon, capitaneando US$ 10 bilhões em nova rodada de financiamento e avaliando a nova startup chamada Projeto Prometheus em US$ 38 bilhões.

“Tanto os deals em private equity de empresas fora da bolsa quanto as negociações de companhias de capital aberto não mudaram o tom em relação ao que era observado antes da guerra, continuam com as mesmas perspectivas de lucro, vendas e investimentos”, detalha Patah.

De acordo com o estrategista-chefe do UBS WM, os resultados das companhias não foram impactados com o conflito, principalmente os das “Sete Magníficas”, com a expectativa de lucro das companhias subindo de 14% para 17%.

“Mas isso não é observado só no setor tech, outros também têm potenciais de crescimento acima do esperado”, acrescenta.

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Economia dos EUA

Na visão de Patah, os fundamentos da economia norte-americana são outro fator de sustentação do rali de Wall Street. Isso, explica, porque os números de dados de vendas, confiança, emprego e atividade seguem muito fortes, a despeito da alta dos preços da gasolina.

No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2%, segundo estimativa preliminar divulgada na quinta-feira (30) pelo Bureau of Economic Analysis (BEA).

O número aponta ganho de tração da atividade dos EUA frente ao avanço de 0,5% no quarto trimestre de 2025.

“A avaliação é de que o consumidor pode acreditar que o impacto inflacionário da guerra é temporário, sem implicar uma revisão baixista de PIB, enquanto tivemos elevação das expectativas de inflação e juros”, afirma Patah.

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Mesmo com o cenário de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) no intervalo de 3,50% a 3,75% até o final de 2026, a perspectiva de crescimento norte-americana não foi impactada. “Nada impede que o Fed não corte juros no ano que vem”, acrescenta.

Além disso, o estrategista-chefe do UBS WM menciona que há ainda incertezas quanto ao futuro da política monetária dos Estados Unidos com Kevin Warsh, indicado do presidente Donald Trump, como chair do Fed.

Para 2026, o UBS WM ainda prevê dois cortes de 0,25 ponto percentual pelo Fed nas reuniões de setembro e dezembro. O banco suíço também estima expansão de 2,2% para o PIB dos EUA.

O que esperar de Wall Street agora?

Para o estrategista-chefe do UBS WM, o mercado, pelo menos no curto prazo, deve seguir menos preocupado com as incertezas geopolíticas. “Mas caso o conflito perdure, isso deve se refletir nos índices de Wall Street, porque quanto mais tempo o petróleo ficar elevado, pior os impactos para a economia”, diz.

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Na avaliação de Patah, o mercado considera que a guerra entre Estados Unidos e Irã está próxima do final, mas o noticiário repercutiu na última quarta-feira (29) que Trump está preparando as empresas de petróleo para um fechamento do Estreito de Ormuz por um período prolongado.

Com a notícia, o barril do Brent, considerado referência no mercado internacional, operou acima dos US$ 125 na madrugada de quinta-feira, o preço mais alto desde 2022.

Já no front corporativo, mesmo se uma empresa de tecnologia das Sete Magníficas frustrar nos resultados, a tendência é de que isso não azede o humor de Wall Street, considera Patah.

“É impossível que todas as companhias apresentem resultados muito bons em todos os quesitos, até porque o que é bom para uma pode ser ruim para outra. Nos últimos trimestres, houve algumas frustrações em balanços, mas isso não alterou a perspectiva do mercado”, explica.

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Para haver uma reversão na tendência, o estrategista afirma que seria necessário um conjunto de frustrações grandes em várias empresas, com revisão para baixo de investimentos e lucro.

Como exemplo, Patah cita a Nvidia, que avançou muito desde que o ChatGPT foi lançado em 2022 e alcançou um valor de mercado de US$ 4,85 trilhões. “Existe uma certa tensão pré-resultado da Nvidia, que brincamos que é a ‘TPN’, uma vez que é uma empresa muito importante. Se vier resultado ou guidance abaixo do esperado, nesse caso podemos ver uma correção mais forte no setor de tecnologia, mas esse não é o nosso cenário base”, diz.

Ao analisar os fundamentos e últimos acontecimentos no setor de tecnologia, o uso de ferramentas de IA é mais frequente, o que é positivo para empresas como a Nvidia.

“Nesse cenário, recomendamos diversificação nos investimentos, nem muita concentração em tecnologia e nas Sete Magníficas, enquanto reduzimos a exposição a empresas de software, que vão sofrer concorrência da IA”, detalha.

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Diante da perspectiva mais otimista para as bolsas norte-americanas, o UBS WM estima que o S&P 500 ainda pode superar os 7.500 pontos até o final de 2026.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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