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Nubank (ROXO34): Citi rebaixa ação e vê risco ‘escondido’ no coração da tese da fintech

15 jun 2026, 16:10 - atualizado em 15 jun 2026, 16:27
Nubank
(Imagem: Divulgação)

O Citi cortou a recomendação para as ações do Nubank (ROXO34), de compra para neutro, reduzindo o preço-alvo de US$ 18 para US$ 13 – potencial alta de 10%.

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Na visão do banco norte-americano, o crédito — principal avenida de crescimento do Nubank — pode se tornar também sua principal fonte de pressão sobre rentabilidade e risco nos próximos anos.

Esse cenário levanta dúvidas entre os analistas sobre até onde o banco digital do cartão roxinho conseguirá manter a velocidade sem perder eficiência pelo caminho.

“É improvável que o Nubank desacelere sua trajetória de crescimento sem sacrificar monetização e rentabilidade”, afirma o Citi.

O banco avalia que o preço das ações já incorpora boa parte dos fatores positivos da tese e oferece espaço limitado para uma nova reprecificação relevante.

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“A 3,2 vezes o valor patrimonial (P/VPA) estimado para 2027, para um ROE próximo de 28% no curto prazo, vemos espaço limitado para nova reprecificação “, escreveram os analistas.

A dependência do Nubank por crédito

O diagnóstico do Citi parte de uma característica que diferencia o Nubank de alguns de seus principais concorrentes globais.

Enquanto fintechs como a Revolut vêm ampliando receitas em áreas como investimentos, pagamentos e serviços financeiros, o Nubank continua fortemente dependente da expansão do crédito para sustentar seu crescimento.

Hoje, cerca de 60% da receita da companhia está ligada ao chamado ARPAC impulsionado por crédito — indicador que mede a receita média gerada por cliente ativo.

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Na avaliação do Citi, essa dependência torna a fintech mais sensível a mudanças no ambiente de crédito e ao comportamento dos consumidores.

Além disso, os analistas observam uma forte correlação entre o crescimento da carteira e o custo de risco do banco, próxima de 90%.

Isso significa que, à medida que o Nubank amplia sua oferta de crédito, também aumenta sua exposição a potenciais deteriorações da qualidade da carteira.

O Citi avalia que o Nu possui uma concentração relevante em cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de renda mais baixa, ao mesmo tempo em que ainda busca ganhar escala em modalidades consideradas mais seguras, como o crédito consignado privado.

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“Embora reconheçamos que cerca de 9% dos clientes do Nu com crédito tenham exposição a crédito consignado, essa participação tende a aumentar devido à sua grande presença nacional e ampla base de clientes no Brasil”, afirmam os analistas.

O ponto de preocupação está justamente na relação entre essas modalidades.

O risco fora do radar do mercado que preocupa o Citi

Na leitura do banco, o avanço do crédito consignado privado pode criar um efeito colateral para instituições mais expostas a produtos sem garantia, como cartões e empréstimos pessoais.

“As exposições a cartão de crédito e empréstimos pessoais são efetivamente subordinadas ao crédito consignado privado”, afirma o relatório.

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Isso acontece porque o consignado possui prioridade natural de pagamento, já que as parcelas são descontadas diretamente da folha salarial.

Na prática, conforme o consignado ganha espaço no orçamento das famílias, sobra menos capacidade financeira para honrar outras dívidas – e o estresse financeiro tende a se concentrar justamente nos produtos sem garantia.

Para o Citi, esse é um risco ainda pouco precificado pelo mercado na tese de investimento em Nubank.

“É provável que o crescimento do consignado reduza a capacidade de pagamento dos tomadores, deslocando o estresse de crédito incremental para produtos sem garantia”, avalia o Citi.

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Na visão do banco, esse efeito cria uma assimetria negativa para instituições com maior exposição a cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de menor renda — perfil no qual o Nubank aparece como um dos nomes mais expostos.

Citi corta projeções para o Nubank

A revisão da tese veio acompanhada de cortes nas estimativas financeiras da fintech. O Citi reduziu suas projeções de lucro em 9% para 2026 e em 15% para 2027.

Agora, o banco estima que o Nubank entregue um lucro de US$ 3,7 bilhões em 2026 e de US$ 4,4 bilhões em 2027.

Os analistas também passaram a trabalhar com um nível de rentabilidade estrutural menor para a companhia.

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Nos últimos anos, o Nubank se destacou por entregar retornos sobre patrimônio líquido (ROE) próximos ou superiores a 30%, patamar raro mesmo entre grandes bancos.

O Citi, porém, acredita que esse nível será mais difícil de sustentar à medida que a operação amadurece, o crescimento desacelera e os desafios de expansão internacional permanecem no radar. A nova projeção aponta para um ROE sustentável de aproximadamente 25%.

Para o banco, a combinação de crescimento mais moderado, custos de risco potencialmente maiores e incertezas sobre a expansão fora do Brasil justifica uma postura mais cautelosa com as ações da fintech neste momento.

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