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Randon (RAPT4): Aprende, Santander (SANB11)? OPA chega com prêmio de quase 80%, mas há algumas ressalvas

03 ago 2026, 13:06 - atualizado em 03 ago 2026, 13:07
Randon
Por outro lado, é preciso fazer uma ressalva. Em relação ao preço de liquidação, o prêmio não é fixo, pois os investidores receberão ações, e não dinheiro (Imagem: Randon/Divulgação)

Em menos de uma semana, duas ofertas públicas de aquisição de ações (OPA) de permuta sacudiram a bolsa. A primeira foi a do Santander (SANB11), com a matriz espanhola querendo abocanhar os 10% das ações em circulação.

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Já na sexta-feira foi a vez de a Randon (RAPT4) anunciar uma operação do mesmo tipo. Mas, em vez de BDRs, como no caso do banco espanhol, a controladora DRAMD Participações propôs trocar ações ordinárias (RAPT3) por papéis da Frasle Mobility (FRAS3), sua subsidiária.

É importante ressaltar alguns pontos, porém. O primeiro é que a troca envolverá apenas as ações ordinárias, que têm menor liquidez.

Na divisão acionária, as pessoas físicas representam apenas 5,97% das ações ordinárias em circulação, mas detêm 27,30% das preferenciais. Já as pessoas jurídicas possuem 0,11% das RAPT3, enquanto os investidores estrangeiros têm apenas 0,03%.

A relação de troca é a seguinte:

  • Os acionistas receberão ações da FRAS3 atualmente detidas pela DRAMD, na proporção de 2,7 ações RAPT3 para cada 1 ação FRAS3.
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Também é importante destacar que esta não é uma oferta para fechamento de capital, uma vez que as ações preferenciais, mais líquidas (RAPT4), permanecem inalteradas.

Outro ponto é que o acionista da Randon não é obrigado a aderir à troca. Ainda assim, o prêmio oferecido chama atenção.

Randon: prêmio gordo

Nos cálculos do BTG Pactual, o valor de referência atribuído à RAPT3 é de R$ 8,52 por ação, o que implica um prêmio de aproximadamente 46% em relação ao VWAP (preço médio ponderado por volume) de referência e de 80% sobre o preço de fechamento de sexta-feira. É um percentual bem superior aos cerca de 15% oferecidos pelo Santander, por exemplo.

Por outro lado, é preciso fazer uma ressalva. Em relação ao preço de liquidação, o prêmio não é fixo, pois os investidores receberão ações, e não dinheiro. Assim, o valor final dependerá dos preços relativos de FRAS3 e RAPT3 até a liquidação da operação.

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Segundo os analistas, o pano de fundo da operação é aumentar o controle de voto da família Randon, utilizando ações da Frasle como forma de pagamento. Um acionista importante nesse xadrez já deu seu aval: a Previ, que detém cerca de 8% da RAPT3.

Com isso, a fundação passará a ser uma acionista mais relevante da Frasle e, ao longo do tempo, poderá monetizar parte de sua posição. Como consequência, espera-se um aumento da liquidez das ações da FRAS3.

Por outro lado, o BTG lembra que os planos da Previ para sua participação ampliada na Frasle ainda não são públicos, o que pode gerar questionamentos entre os investidores.

Operação é positiva

Também é necessário que o investidor tenha em mente que Randon e Frasle possuem propostas de valor distintas. Segundo o BTG:

  • a Frasle é uma potência global no mercado de reposição e negocia com um múltiplo premium;
  • a Randon tem um DNA mais voltado ao mercado doméstico de caminhões e negocia com um desconto considerado excessivo.
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“Essa diferença em suas histórias de participação acionária torna a oferta de troca atraente”, destaca o banco.

Mesmo assim, o BTG afirma que o fato de a família controladora querer aumentar sua participação na Randon é um excelente sinal.

“Em nossa opinião, isso reforça o compromisso de longo prazo da família com a RAPT e corrobora movimentos estratégicos recentes, como o aumento de capital privado realizado recentemente.”

Outra expectativa do mercado era de que a operação pudesse abrir caminho para a tão esperada unificação das classes de ações e para a adoção de padrões mais elevados de governança. Isso, no entanto, não deve ocorrer agora.

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Pelos cálculos do BTG, a participação da controladora deve chegar a 49%, abaixo do limite de 50% necessário.

O Safra também avalia que a operação reforça a confiança do grupo controlador nas perspectivas de longo prazo da companhia, já que a família enxerga mais valor na RAPT3 do que o atualmente refletido pelo mercado.

“Além disso, em nossa visão, esse movimento pode ser um indicativo de que a empresa está se posicionando para uma eventual migração para o Novo Mercado.”

Para a Frasle, diz o Safra, a operação também é positiva, pois amplia o free float sem gerar diluição para os acionistas minoritários, já que as ações entregues virão da participação da própria DRAMD, e não de uma nova emissão.

Bolsa: Randon sobe, Frasle cai

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Na bolsa, porém, os movimentos seguiram direções opostas. Enquanto a Randon avançava 4,90%, a R$ 5,14, a Frasle recuava 6,75%, para R$ 19,74.

Para o BTG, o movimento é natural. Segundo os analistas, o mercado tende a favorecer a RAPT em detrimento da FRAS, principalmente porque as intenções da Previ para sua nova participação na Frasle permanecem indefinidas.

“Apesar de termos recomendação de compra para a FRAS e neutra para a RAPT, esperamos que as ações da RandonCorp tenham desempenho superior, especialmente se os investidores passarem a precificar uma provável melhora na governança corporativa da companhia.”

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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