Relação com os EUA deveria ser a prioridade do Brasil, dizem empresários
A relação com os Estados Unidos (EUA) deveria ser a prioridade da política externa do governo brasileiro, na avaliação de líderes empresariais ouvidos pela Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30), durante evento realizado na sede da B3, em São Paulo.
Ao todo, 53% dos entrevistados citaram o relacionamento bilateral como o principal eixo estratégico, à frente de outros temas da agenda internacional, como atração de investimentos estrangeiros (lembrado por 46%), novos acordos comerciais (44%) e acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%).
“A explicação, sob a lente política, é o fato de que os Estados Unidos têm um papel central na formação do cenário geopolítico. Do ponto de vista econômico, estamos falando da principal economia do mundo”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, durante a apresentação dos dados.
Segundo ele, a relação com os norte-americanos também aparece como prioridade por envolver um das principais origens de investimentos estrangeiros no Brasil, além de apresentar alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia.
Os principais obstáculos
Apesar de estratégica, a relação bilateral ainda é percebida como desafiadora por 44% dos empresários. Outros 38% avaliam o cenário como neutro, enquanto apenas 14% consideram o ambiente favorável.
De acordo com a pesquisa, as tarifas aplicadas por Donald Trump seguem como o principal obstáculo para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos entrevistados.
A percepção, segundo Neto, é de que esse fator continua retirando competitividade dos produtos brasileiros mesmo após a redução de algumas alíquotas no fim do ano passado.
Em 2025, o Brasil entrou em uma crise comercial com os Estados Unidos. Trump elevou a carga tributária para os produtos de origem brasileira alegando déficit na balança comercial e práticas injustas, além de questionar o julgamento de Jair Bolsonaro, que levou à prisão do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. A relação entre os dois países melhorou após um encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, os líderes empresariais mencionam a taxa de câmbio (33%) e as barreiras não tarifárias (29%) como elementos que aumentam a complexidade do acesso ao mercado norte-americano.
Também aparecem desafios ligados à atuação das empresas, como escala e competitividade (25%) e concorrência local (22%).
Agenda Brasil–EUA
A pesquisa também identificou os temas que, na visão do setor privado, devem ser priorizados nas negociações em curso com os Estados Unidos:
- Redução de barreiras comerciais (58%);
- Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%);
- Combate ao crime organizado transnacional (42%);
- Parcerias em investimentos (42%);
- Minerais críticos e terras raras (36%);
- Acordo para evitar a dupla tributação (35%).
“Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano”, afirmou Neto.
O levantamento da Amcham ouviu 732 empresários entre 17 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026.