Renan Santos acena a Caiado, mira mercado e chama apoio a Flávio de ‘voto em bandido’
O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) sinalizou abertura para alianças com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e afirmou que o resultado da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), reforça sua viabilidade eleitoral. Em evento com investidores, em São Paulo, ele também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Votar no Flávio é votar em bandido”.
Renan associou o senador a escândalos e afirmou que não há meio-termo na avaliação sobre o adversário, além de reforçar que vê o apoio a Flávio Bolsonaro como uma escolha incompatível com o que considera aceitável na política. “Como eu digo, o Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo, ele vê um esquema e fala: ‘por favor, me inclua’. Não existe meio gângster“, afirmou.
O presidenciável disse que está aberto a negociações com outros nomes da direita, especialmente Caiado, com quem lembrou já ter atuado em momentos decisivos, como no impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Líder do Movimento Brasil Livre (MBL) ele avaliou que a parceria deu resultados. “A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, disse. Ele acrescentou que não descarta conversar com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), mas criticou o que chamou de “submissão ao bolsonarismo”.
Apesar da sinalização, Renan afirmou que precisa “se provar” eleitoralmente antes de avançar nas negociações e disse acreditar que pode ultrapassar os concorrentes ao comentar os resultados da pesquisa Genial/Quaest.
O levantamento mostra que, no cenário estimulado de primeiro turno, Renan aparece com 3% das intenções de voto, empatado numericamente com Caiado (também 3%), e tecnicamente com o deputado federal Aécio Neves (PSDB) e Zema, ambos com 2% cada um. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 39%, seguido de Flávio Bolsonaro, com 29%.
Sobre a pesquisa, o pré-candidato argumentou ainda que possui menor rejeição do que adversários como Flávio Bolsonaro e maior potencial de crescimento, impulsionado pela militância e pelo engajamento nas redes sociais.
Renan também fez críticas ao posicionamento do mercado financeiro, especialmente da chamada Faria Lima, que, segundo ele, passou a atuar como força política nos últimos anos. O pré-candidato afirmou que o setor errou ao apoiar o bolsonarismo no passado, o que, em sua avaliação, contribuiu para a volta do presidente Lula.
Ele disse, porém, que vê uma mudança de postura entre agentes do mercado, que estariam evitando aderir à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e passando a buscar alternativas fora da polarização entre petismo e bolsonarismo. Afirmou ainda que, nos últimos meses, também tem conseguido quebrar o que chamou de resistência ao seu nome no mercado financeiro.
A avaliação foi compartilhada por participantes do evento promovido pela Genial Investimentos. Nos bastidores, empresários e investidores ouvidos pela reportagem apontam uma “maior musculatura e amadurecimento” na pré-candidatura de Renan desde o início da campanha.
Ao mesmo tempo, relatam ressalvas em relação ao senador Flávio Bolsonaro, citando episódios recentes, como a divulgação de áudio em que ele aparece em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A leitura é de que a campanha do senador segue enfrentando desgaste à medida que novos fatos vêm à tona, somados ao histórico de controvérsias, como o caso das “rachadinhas” quando ele exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.