Tesouro Direto

Renda fixa no vermelho? Títulos do Tesouro Direto caem até 5,6% em julho

26 ago 2026, 15:46 - atualizado em 26 ago 2026, 15:47
tesouro direto DIs Treasuries
(Imagem: Shutthiphong Chandaeng/Getty Images)

Nem toda a renda fixa passou ilesa por julho. Enquanto o Tesouro Selic 2031 entregou retorno positivo de 1,18% no mês, títulos de prazo mais longo do Tesouro Direto amargaram perdas superiores a 5%, pressionados pela alta das taxas de juros no mercado.

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A maior queda entre os papéis disponíveis para venda no fim de julho ficou com o Tesouro RendA+ 2065, que recuou 5,59% no mês. O título também acumula perdas de 7,26% em 2026 e de 7,85% nos últimos 12 meses, segundo balanço divulgado pelo Tesouro Nacional.

Outros vencimentos longos seguiram a mesma direção. O RendA+ 2060 perdeu 4,94% em julho, enquanto o RendA+ 2050 caiu 4,43%. Entre os títulos tradicionais atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050 recuou 4,77% no mês e acumula desvalorização de 5,54% no ano.

Na outra ponta, o Tesouro Selic 2031 avançou 1,18% em julho e chegou a uma rentabilidade de 14,95% em 12 meses, a maior nesse intervalo entre os títulos disponíveis para venda apresentados no balanço.
A diferença de desempenho ocorre em meio às oscilações das taxas de juros de mercado, que afetam diretamente o preço dos títulos públicos antes do vencimento.

O que derrubou os títulos do Tesouro?

Segundo o Tesouro Nacional, os retornos negativos registrados em julho são consequência do aumento das taxas de juros de mercado no período.

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“Esse aumento de juros faz com que o preço de alguns dos títulos em 31/07/2026 seja menor que o apurado em 30/06/2026”, afirma o órgão.

O movimento ocorre por meio da chamada marcação a mercado. Na prática, os preços dos títulos são atualizados de acordo com as condições de negociação vigentes.

Quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, o preço dos títulos já negociados tende a cair. O movimento inverso também é válido: uma queda das taxas pode provocar valorização dos papéis.

Essa oscilação costuma ser mais intensa nos títulos com vencimentos mais distantes, o que ajuda a explicar por que os maiores recuos de julho ficaram concentrados em papéis como RendA+ e IPCA+ de longo prazo.

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O contraste também aparece dentro das próprias famílias de títulos. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, teve retorno positivo de 0,19% em julho, enquanto o IPCA+ 2040 caiu 2,14% e o IPCA+ 2050 perdeu 4,77%.

Entre os RendA+, a queda também aumentou, de maneira geral, nos vencimentos mais distantes. O RendA+ 2030 recuou 1,32% no mês, ante perdas de 3,85% do RendA+ 2045 e de 5,59% do RendA+ 2065.

Investidor perdeu dinheiro?

Vale destacar que a rentabilidade negativa mostrada no balanço não significa necessariamente que o investidor terá esse prejuízo.

Os números divulgados pelo Tesouro consideram a rentabilidade bruta que seria obtida caso o título fosse vendido antes do vencimento, tomando como referência os preços em 31 de julho. Dessa forma, os retornos refletem as oscilações do mercado secundário.

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A perda é efetivamente realizada caso o investidor venda o papel naquele momento e por aquele preço.

Para quem mantém o investimento até o vencimento, a lógica é outra. O Tesouro ressalta que, apesar das oscilações no caminho, “uma vez carregados até o vencimento, os títulos pagam a rentabilidade acordada no momento da compra”.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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