Retomada de Ormuz reduz disrupção para fertilizantes, mas ameaça ‘janela decisiva’ de compras, afirma Goldman Sachs
A reabertura do Estreito de Ormuz aliviou a disrupção no comércio global de fertilizantes, mas ainda representa uma ameaça para a janela decisiva de compra de insumos por grandes produtores agrícolas, especialmente o Brasil, avalia o Goldman Sachs em relatório divulgado nesta semana.
Segundo o banco, aproximadamente um terço do comércio mundial de fertilizantes passa pelo Estreito. Embora os embarques tenham sido retomados desde meados de junho, uma nova interrupção durante os próximos meses poderá coincidir com o período de aquisição de fertilizantes para importantes culturas do segundo semestre.
Para os analistas, o momento exige atenção porque o terceiro trimestre concentra as compras de fertilizantes nitrogenados por grandes importadores, como o Brasil para o milho, a Índia para arroz e cana-de-açúcar e a União Europeia para o trigo de inverno.
“O mesmo fator que limitou os impactos da interrupção no segundo trimestre — o calendário agrícola — pode ampliar significativamente os efeitos caso ocorram novas restrições durante o próximo ciclo de compras”, destaca o relatório assinado por Lina Thomas, Samantha Dart e Daan Struyven.
O Goldman Sachs observa que a interrupção registrada no segundo trimestre teve efeitos relativamente contidos por acontecer após os agricultores do Hemisfério Norte já terem formado estoques e antes da nova rodada de aquisições. Ainda assim, os preços da ureia, principal fertilizante nitrogenado, chegaram a subir cerca de 50% durante o fechamento do estreito, antes de recuarem com a normalização dos fluxos.
Outros fertilizantes também são afetados
A preocupação também se estende aos fertilizantes fosfatados, cuja janela de compra para a soja brasileira ocorre justamente entre junho e julho, antes do plantio de setembro.
Segundo o banco, o Brasil — responsável por 62% das exportações globais de soja — depende de importações para aproximadamente 80% do consumo de fertilizantes fosfatados. Até meados de junho, os produtores haviam contratado apenas 68% da demanda esperada, abaixo da média histórica de cerca de 75%.
Apesar da retomada dos embarques pelo Estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes fosfatados permanecem elevados. Na avaliação do Goldman Sachs, isso mantém a pressão sobre a rentabilidade do produtor brasileiro, que já enfrenta custos elevados desde a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Caso esse cenário persista, o banco avalia que a subaplicação de fertilizantes pode se prolongar, comprometendo gradualmente a fertilidade do solo e elevando os riscos para a produtividade da soja brasileira no longo prazo.