Safra de cana deve crescer com clima favorável, mais etanol e impacto limitado da guerra no açúcar, diz Plinio Nastari
As perspectivas para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul são positivas, com recuperação dos canaviais, aumento de produção e mudança estratégica na destinação da matéria-prima, segundo o presidente da Datagro, Plinio Nastari.
Após um 2024 adverso, a boa distribuição de chuvas tem favorecido o desenvolvimento da cultura, impulsionando a produtividade em diversas regiões.
A Datagro projeta moagem de 635 milhões de toneladas, ante 610,5 milhões no ciclo anterior, com leve aumento de área e ganhos relevantes de produtividade.
Mais etanol e açúcar estável
Apesar da maior oferta de cana, a produção de açúcar deve se manter praticamente estável, em torno de 40,7 milhões de toneladas. O destaque será o etanol, com expectativa de crescimento de 4,6 bilhões de litros.
Segundo Nastari, o setor deve direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o biocombustível, indicando uma mudança estratégica relevante para o ciclo.
Guerra no Oriente Médio muda dinâmica de preços e exportações devem seguir firmes
As tensões geopolíticas têm influenciado diretamente os mercados de energia e, por consequência, o setor sucroenergético. A alta do petróleo já começa a se refletir nos preços do açúcar e do etanol.
O contrato de açúcar em Nova York registrou avanço recente, enquanto o etanol hidratado na B3 também se recuperou, sinalizando melhora na percepção do mercado.
Mesmo com cerca de 17,1% das exportações brasileiras destinadas ao Oriente Médio, o impacto da guerra sobre o volume embarcado deve ser limitado.
Segundo Nastari, a demanda global permanece constante, e o Brasil continuará redirecionando suas exportações para diferentes mercados, mantendo seu papel como principal fornecedor global.
Fertilizantes entram no radar de risco
Se por um lado o cenário favorece o etanol, por outro há preocupação com os custos de produção. O Oriente Médio é relevante fornecedor de fertilizantes, especialmente ureia, e o Brasil depende fortemente de importações.
Já há aumento nos preços de ureia e fosfatos, embora o cloreto de potássio ainda não tenha sido significativamente impactado.
Índia, Tailândia e Europa influenciam mercado global
No cenário internacional, a Índia segue ampliando sua produção de etanol e pode ter uma safra menor em 2026/27, o que tende a reduzir sua disponibilidade de açúcar para exportação.
A Tailândia, por sua vez, deve registrar recuperação na safra atual (2024/25), mas há sinais de queda na produção em 2026/27, diante da menor atratividade da cana frente a outras culturas.
A União Europeia também caminha para uma redução de produção no mesmo ciclo, em meio a preços menos atrativos.