Safra eleva recomendação para Ultrapar (UGPA3), mas a top pick ainda é outra
O Safra elevou a recomendação das ações da Ultrapar (UGPA3) de neutra para compra nesta terça-feira (25), após os resultados do segundo trimestre (2T26).
O banco também aumentou R$ 11 no preço-alvo, de R$ 32 para R$ 43 nos próximos 12 meses – o que implica em um potencial de valorização de 27,5% sobre o preço de fechamento da última segunda-feira (24).
Para os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade, as ações da companhia continuam negociando a múltiplos de preço sobre lucro (P/L) inferiores aos observados antes da guerra no Oriente Médio e também abaixo das médias dos últimos três anos.
“Diante de um cenário competitivo mais saudável, sustentado pela redução das assimetrias de mercado e por margens estruturalmente mais elevadas até 2027, vemos a reprecificação dos múltiplos como um dos principais pilares da nossa tese de investimento, mesmo considerando margens ainda inferiores às observadas durante o período da guerra”, avalia a dupla de analistas.
Nesta terça-feira, as ações da companhia operam em queda, apesar da revisão positiva. Por volta de 10h45 (horário de Brasília), UGPA3 caía 1,54%, a R$ 33,20.
O que está por trás da elevação?
O Safra também projeta margens mais elevadas para a companhia. O banco elevou a projeção para as margens unitárias da Ipiranga para R$ 322/m³ em 2026, R$ 190/m³ em 2027 e R$ 200/m³ em termos reais a partir de 2028.
“Essa perspectiva mais favorável de margens deve impulsionar forte geração de caixa, sustentando yields de fluxo de caixa livre de 19% e 14%, respectivamente, e reduzindo a alavancagem para 0,9x ao final de 2026 e 1,0x ao final de 2027″, afirmam os analistas.
Para eles, tudo o mais constante e na ausência de uma transação relevante de M&A (sigla em inglês para fusões e aquisições), a menor alavancagem da Ultrapar em relação à Vibra oferece maior espaço para distribuições de dividendos, embora a visibilidade limitada sobre a alocação de capital continue sendo uma preocupação relevante.
Os números da Ultrapar no 2T26
A Ultrapar teve alta de 46% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$ 1,7 bilhão, ainda impulsionada pelos efeitos de recuperação do mercado de combustíveis após o lançamento de operações contra o comércio ilegal a partir do segundo semestre do ano passado.
O resultado operacional do grupo medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recorrente cresceu duas vezes e meia para R$ 3,66 bilhões de abril ao final de junho.
Analistas, em média, esperavam que a Ultrapar mostrasse lucro de R$ 1,4 bilhão e Ebitda de R$ 3 bilhões no período, segundo dados da LSEG.
Na rede de postos Ipiranga, a receita líquida atingiu R$ 37,5 bilhões, um aumento de 24% em relação ao ano anterior, com s tensões no Oriente Médio impulsionando a volatilidade global dos preços dos combustíveis.
No período, a divisão da Ultrapar intensificou importações e elevou o volume de vendas no segundo trimestre em 8% na comparação anual.
O Ebitda ajustado recorrente da Ipiranga saltou de R$ 678 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 2,8 bilhões no mesmo período deste ano.
- Veja os números em detalhes: Ultrapar (UGPA3) tem salto no lucro do 2º trimestre, para R$ 1,7 bilhão
Mas a top pick é outra
O Safra, porém, mantém a preferência pelas ações da Vibra (VBBR3), que têm recomendação de compra. O banco elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 47 nos próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de 38,8% sobre o preço de fechamento anterior.
Segundo os analistas, além de maior potencial de valorização, a companhia tem maior exposição à distribuição de combustíveis e melhor visibilidade sobre a alocação de capital.
A dupla, Conrado Vegner e Vinícius Andrade, também espera que a geração de caixa mais forte resultante das margens mais elevadas seja direcionada principalmente para desalavancagem.
“Agora projetamos margens unitárias de R$ 328/m³ em 2026, R$ 200/m³ em 2027 e R$ 210/m³ em termos reais a partir de 2028. Essas margens mais robustas devem sustentar forte geração de fluxo de caixa livre e yields de 29% e 16% no período, reduzindo a alavancagem para 0,9x ao final de 2026, ante 2,9x ao final de 2025”, afirmaram.