PicPay (PICS) supera expectativas no 2T26 e BTG mantém a aposta no papel; veja detalhes
O PicPay (PICS) apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre de 2026, segundo análise do BTG Pactual.
A companhia foi a última entre a cobertura do banco a divulgar os números do período, registrando lucro líquido de R$ 269 milhões, alta de 78% em relação ao trimestre anterior e de 124% na comparação anual. O resultado ficou 11% acima da estimativa do banco e 7% acima do consenso do mercado.
Na manhã desta terça-feira (25), por volta das 10h55, a ação da companhia caía cerca de 1,13% na Nasdaq, cotada a US$ 10,55.
De acordo com o BTG, o desempenho do PicPay foi impulsionado principalmente por uma alíquota de impostos praticamente zerada, beneficiada pelo reconhecimento de incentivos fiscais da Lei do Bem.
Antes dos impostos, o resultado ficou próximo das projeções. O programa Desenrola também contribuiu para reduzir o custo de crédito em cerca de 5%, ou aproximadamente R$ 60 milhões, equivalente a cerca de 20% do lucro líquido do trimestre.
Outro destaque foi a expansão da carteira de crédito. Os empréstimos brutos cresceram 99% em um ano, para R$ 31,9 bilhões. O crédito consignado privado foi o principal catalisador dessa expansão, acrescentando R$ 2,2 bilhões no trimestre, representando 56% do crescimento incremental da carteira. Os cartões maduros adicionaram outros R$ 900 milhões.
Apesar dos sinais positivos, a qualidade dos ativos continua sendo o principal ponto de atenção para os analistas. A inadimplência inicial recuou 0,9 ponto percentual no trimestre, para 7,5%, enquanto a formação de créditos nos estágios 2 e 3 caiu de 5,1% para 4,9%.
A formação de Stage 3, por sua vez, melhorou de 3,9% para 3,6%, embora o BTG estime que, sem o efeito do Desenrola, o indicador teria permanecido próximo de 4%.
Já a inadimplência acima de 90 dias subiu 0,88 ponto percentual, para 9,8%. Segundo a administração do PicPay, o avanço foi principalmente resultado do amadurecimento das safras de crédito. Ainda assim, o indicador ficou 0,81 ponto percentual abaixo da estimativa do BTG.
As despesas operacionais, vieram acima do esperado. O total chegou a R$ 978 milhões, 10% acima da previsão do BTG, pressionado principalmente pelos gastos de marketing e administrativos. Mesmo assim, o índice de eficiência ajustado melhorou para 44,8%, ante 46,9% no primeiro trimestre e 56,2% um ano antes.
Para o terceiro trimestre, o PicPay projeta uma carteira de crédito de aproximadamente R$ 34,7 bilhões, 2% acima do consenso.
O lucro líquido IFRS é projetado em R$ 255 milhões, queda de 5% ante o segundo trimestre, mas ainda 3% acima das expectativas. A redução deve ocorrer principalmente pela normalização da alíquota de impostos após o benefício da Lei do Bem no 2T26, e não por uma deterioração operacional.
O BTG também destacou a aquisição da seguradora Kovr, concluída em agosto e rebatizada como KEV. Com os resultados do segundo trimestre, o guidance do terceiro trimestre e a contribuição esperada da Kovr, o BTG estima que o PicPay pode superar R$ 1 bilhão de lucro líquido em 2026, praticamente dobrando o resultado de 2025
Diante dessas questões, o banco manteve a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de US$ 20.
*Com supervisão de Maria Carolina Abe