Santander corta previsão do PIB para 2018 por incerteza eleitoral

A queda dos índices de confiança na economia é um dos principais fatores que motivou a equipe de análise econômica do Santander a cortar a previsão do PIB para o Brasil em 2018 de 2% para 1,5%, mostra um documento assinado por Lucas Augusto e Rodolfo Margato.
Segundo eles, as incertezas em torno do quadro eleitoral e da condução de medidas de consolidação fiscal nos próximos anos seguem muito elevadas, explicando parte relevante da piora das condições financeiras do país.

“Temos observado recuo dos indicadores de confiança dos empresários e consumidores, o que afeta as decisões de consumo e investimento e, consequentemente, o crescimento da economia local. Em outras palavras, muitos agentes parecem estar “em compasso de espera”, tendo em vista a maior percepção de risco gerada tanto por drivers domésticos quanto externos”, ressaltam.
O banco também lembra que, aliado ao cenário interno ruim, o ambiente internacional é afetado pelo tom protecionista no mundo (principalmente entre Estados Unidos e China) e as recentes crises na Turquia e Argentina, que são alguns elementos que explicam a maior aversão global ao risco e redução do apetite por ativos de economias emergentes.
2019
O risco eleitoral, contudo, ainda não foi transmitido para as expectativas do ano que vem. O Santander escolheu continuar a projetar um PIB de 3,2% em 2019, tendo como premissa um governo comprometido com o ajuste das contas fiscais, isto é, um governo com caráter reformista e alinhado ao chamado “tripé macroeconômico”.
“Ressaltamos que a economia brasileira apresenta fundamentos sólidos, tais como inflação contida, juros baixos e contas externas equilibradas. Então, após a dissipação de incertezas até o final do ano, vemos potencial para uma retomada mais expressiva da atividade”, concluem.