PNAD Contínua: Renda proveniente do trabalho aumenta em 2025; Bolsa Família cai
A posição do trabalho como a principal fonte de renda dos brasileiros ganhou ainda mais espaço em 2025. Já o número de pessoas que obtêm renda de outras fontes, como os programas sociais do governo, diminuiu. As informações constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao longo do ano passado, cada brasileiro recebeu, em média, R$ 3.560 por mês por meio do trabalho.
Trata-se da mais alta renda média mensal baseada em trabalho desde o início da PNAD Contínua, em 2012. Ela cresceu 5,7% em relação a 2024 e 11,1% em comparação ao período pré-pandemia.
A pesquisa também constatou que o rendimento médio mensal do brasileiro, incluindo fontes além do trabalho, foi de R$ 3.367 em 2025. Esse valor refere-se à média de 143 milhões de pessoas com alguma forma de renda, o que equivale a 67,2% da população total.
Em relação aos valores pré-pandemia, o relatório concluiu um aumento no valor da renda mensal média de todas as fontes, o que sinaliza uma recuperação econômica após a crise do COVID-19.
Dentre as fontes fora do trabalho, aposentadoria e pensão são as que possuem maior participação.
Mercado a todo o vapor
Na PNAD Contínua divulgada nesta sexta-feira, o IBGE relatou que 47,8% dos brasileiros recebem renda de algum tipo de ocupação — como empregador, empregado com ou sem carteira assinada, trabalhador autônomo ou servidor público. Essa porcentagem cresceu 0,7 ponto porcentual em relação a 2024.
O valor médio da renda vinda de trabalho, sem contar com a inflação, é R$ 3.560. Ele marca um aumento de 5,7% em 2024 e de 11,1% de 2019.
A soma dos rendimentos do trabalho de toda a população ocupada alcançou R$ 361,7 bilhões em 2025. O valor representa crescimento de 7,5% em relação a 2024, além de marcar o quarto ano consecutivo com alta superior a 6%.
A renda domiciliar per capita — obtida pela divisão da renda total da família pelo número de moradores — é de R$ 2.264, dos quais o rendimento do trabalho ocupa 75,1%.
O restante dessa renda é composta por aposentadorias e pensões (16,4%), programas sociais do governo (3,5%), aluguel e arrendamento (2,1%), pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (0,9%) e outros (2,0%).
Os benefícios ainda são uma saída?
A PNAD Contínua constatou que a renda média mensal das 143 milhões de pessoas que recebem algum rendimento é de R$ 3.367, considerando todas as fontes e já descontada a inflação. Esse valor apresentou aumento de 5,4% em relação a 2024.
Do total de brasileiros, 27,1% recebem renda de outras fontes, como programas sociais do governo (9,1%), aposentadorias e pensões (13,8%), aluguel e arrendamento (1,9%), pensão alimentícia, doações e mesadas de não moradores (2,3%) e outras fontes (2,0%).
No caso da parcela da população que recebe rendimentos de programas sociais governamentais, houve uma redução de 0,1 ponto percentual em comparação com 2024, quando esse percentual era de 9,2%.
O valor médio recebido por meio dos programas sociais foi de R$ 870 no ano passado. Já a proporção de famílias com beneficiários de programas sociais do governo caiu para 22,7%. Isso equivale a 18 milhões de domicílios.
A pesquisa também mostra forte diferença no rendimento domiciliar per capita. Em domicílios com algum programa social, o valor recebido em 2025 foi de R$ 886, enquanto os domicílios sem auxílio receberam R$ 2.787.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.