Santander (SANB11): Ação despenca 6% com ‘susto’ em resultado
O Santander (SANB11) conseguiu entregar resultado pior que esperado mesmo com projeções já fracas. A cifra de R$ 3 bilhões ficou 16% abaixo do previsto pelo consenso. Na abertura, o papel despencava 6%, a R$ 25,88.
Antes do balanço, o mercado já estava cético com o papel, com analistas atentos à evolução do crédito, à qualidade dos ativos e ao custo do risco. Não por acaso, as ações acumulavam queda de 17% no ano.
O JPMorgan, por exemplo, não hesitou em dizer que o resultado foi negativo, ao citar que o resultado antes dos impostos (EBT) ficou 43% abaixo do esperado.
Mais importante ainda, segundo o banco, foi o resultado abaixo do esperado na margem financeira líquida (NII), notadamente na NII de clientes, o que tende a gerar um efeito negativo nas projeções do modelo.
Ao se justificar, o Santander disse que a queda tem a ver com a ‘menor exposição ao mercado de massa’. Mas isso não é novidade, diz o JPMorgan. ‘Em outras palavras, é difícil compreender a compressão de 40 pontos-base (bps) no spread.’
Para o Safra, mesmo que a queda sequencial em ambos fosse esperada, ‘a magnitude parece maior do que o previsto’.
O Itaú engrossa o coro ao afirmar que o resultado foi negativo para as ações, ‘onde reiteramos a recomendação de desempenho de mercado’.
‘A projeção é limitada, visto que o Santander vem apresentando uma trajetória de receita mais fraca há anos, com problemas pontuais de inadimplência.’
Com um ROE de apenas 12,5% e um cenário que deve se manter desafiador, os resultados do segundo trimestre apenas reforçam a cautela com o Santander, diz a Empiricus.
“Dado o histórico de execução, a operação de crédito “na mão” e perspectiva de bons resultados independente do macro, Itaú (ITUB4) segue sendo o preferido entre os bancões”.
Provisões disparam
Chamou a atenção a disparada da provisão para devedores duvidosos (PDD), colchão usado pelos bancos para se proteger de calotes, que totalizou R$ 7,6 bilhões, alta de 20,6% no trimestre e de 11,5% no ano.
No documento, o banco cita ‘efeitos pontuais de reforços de provisão de casos do atacado’, ou seja, provavelmente alguma empresa em meio à onda de recuperações extrajudiciais que estamos assistindo no mercado.
Além disso, diz que houve impacto pela alta nas provisões ‘resultante da mudança da regra para envio a prejuízo’.
Mas, para o JPMorgan, o aumento foi ‘menos surpreendente’.
A formação de novos ativos inadimplentes em estágio 3, considerado mais arriscado, cresceu 23% no trimestre, atingindo R$ 9,2 bilhões, enquanto o índice de cobertura, que mede a relação entre provisões e empréstimos inadimplentes, caiu de uma estimativa de 65,5% no primeiro trimestre para 62% no segundo trimestre.
Mudanças na política de baixas contábeis podem até explicar essa disparada. Contudo, o JPMorgan observa que os bancos acompanhados pela instituição deveriam começar a divulgar suas políticas com mais clareza.
‘Tem sido muito confuso monitorar as tendências de inadimplência (NPL) e baixas contábeis — e o SANB já havia alterado essa política no passado.’
Pontos positivos
Apesar dos pesares, o Santander teve alguns pontos positivos. As despesas se mantiveram em bom patamar, com alta de 2,6% na comparação anual (YoY) e em linha com as estimativas.
O banco também cortou na carne: reduziu seu quadro de funcionários em 1,8 mil pessoas, ou cerca de 4% na comparação trimestral (QoQ) — uma redução de 6,6 mil nos últimos 12 meses (L12M), ou 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A estabilidade do índice de capital de alta qualidade (CET1) em 11,2% também é vista com bons olhos, especialmente diante de um cenário de rentabilidade mais fraca, medida pelo ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), e do aumento de R$ 3,1 bilhões nos créditos tributários diferidos (DTA) no trimestre.
Ação barata?
Com tombo de 17% no ano, o Santander negocia próximo ao valor patrimonial (book value), o que pode aliviar parte das pressões do mercado.
As maiores despesas com provisões para perdas com empréstimos (LLP) neste trimestre podem ainda facilitar as bases de comparação para o custo de risco (CoR) no segundo semestre de 2026.
Agora, o investidor precisa prestar atenção à dinâmica dos spreads daqui para frente. O SANB está sendo negociado a 1,05 vez o valor patrimonial (P/BV).