Economia

Selic: BC pode acelerar cortes para 0,50 p.p., mas cenário exige cautela, diz banco

02 abr 2026, 14:49 - atualizado em 02 abr 2026, 14:49

O Banco Central pode ganhar fôlego para acelerar o ritmo de cortes da taxa Selic para 0,50 ponto percentual ao longo do ciclo, após um início mais cauteloso. A avaliação faz parte da atualização de cenário do Banco Daycoval, que mantém, por ora, a expectativa de um próximo ajuste de 0,25 p.p., seguido por movimentos mais intensos adiante, levando a taxa básica a encerrar 2026 em 12%.

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A possível aceleração, no entanto, não é uma linha reta. Ela depende de um roteiro delicado que conta com uma desaceleração mais clara da inflação corrente, abertura do hiato do produto e, principalmente, algum alívio nos choques recentes, como a alta do petróleo. Sem isso, o BC tende a manter o pé no freio, mesmo com a economia dando sinais de perda de tração.

Inflação sobe e adiciona ruído ao cenário

O pano de fundo ficou mais turvo. O banco elevou sua projeção de inflação para 2026 de 3,8% para 4,2%, com viés de alta, refletindo surpresas em itens voláteis, como alimentos e passagens aéreas, além do impacto do petróleo mais caro e da probabilidade crescente de El Niño no segundo semestre.

Para 2027, a revisão também foi para cima, de 3,4% para 3,6%, indicando que o processo de convergência à meta pode ser mais lento e acidentado. Esse ambiente mantém as expectativas desancoradas e impõe limites à atuação do BC.

Petróleo vira peça-chave do tabuleiro

A escalada do conflito no Oriente Médio trouxe um ingrediente extra de incerteza, com impacto direto sobre os preços de energia. Caso o Brent atinja uma média de US$ 120, o banco estima um ganho de US$ 6,5 bilhões na balança comercial brasileira, cerca de 0,3 ponto percentual do PIB.

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Mas o efeito não é linear. O mesmo choque que ajuda o setor externo pode pressionar a inflação global, endurecer as condições financeiras e atrasar o ciclo de cortes de juros, tanto no Brasil quanto no exterior.

Atividade perde fôlego, mas sem colapso

A projeção de crescimento do PIB em 2026 foi mantida em 1,9%, com um equilíbrio de riscos. Os dados recentes mostram uma mudança na composição da atividade: setores mais cíclicos, como indústria e serviços, ganham tração, enquanto segmentos menos sensíveis ao ciclo perdem força.

No mercado de trabalho, a expectativa é de uma desaceleração gradual, com taxa de desemprego em 5,6% ao fim do período. Ainda assim, a combinação de baixa taxa de participação e escassez de mão de obra em diversos setores mantém os rendimentos pressionados — um fator que segue no radar da inflação.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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