Economia

‘Selic deve cair uma última vez’: BTG Pactual eleva projeções para inflação e vê Selic em 14,25% em 2026

09 jun 2026, 11:17 - atualizado em 09 jun 2026, 11:17
Selic Copom juros
(Créditos: Rmcarvalho/iStock)

O cenário econômico brasileiro ficou mais desafiador após a piora das perspectivas para a inflação e as contas públicas, segundo atualização das projeções do BTG Pactual. O banco revisou para cima suas estimativas para o IPCA e para a dívida bruta, enquanto reduziu a expectativa de crescimento econômico para 2027.

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A principal mudança ocorreu nas projeções de inflação. O BTG passou a estimar alta de 5,3% para o IPCA em 2026, acima dos 4,9% projetados anteriormente. Para 2027, a expectativa subiu de 4,2% para 4,5%.

Segundo o banco, a revisão reflete o recente choque nos preços do petróleo, que impacta diretamente os alimentos por meio do aumento do diesel e pressiona os bens industriais por conta da elevação dos custos. O cenário também contribui para uma maior persistência da inflação de serviços e para a desancoragem das expectativas.

“O balanço de riscos permanece inclinado para cima tanto neste ano quanto no próximo”, destacou o BTG no relatório.

Selic deve cair uma última vez e permanecer estável

Mesmo reconhecendo que a deterioração do cenário inflacionário já justificaria uma interrupção imediata do ciclo de afrouxamento monetário, o BTG manteve como cenário-base um último corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom).

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Caso a previsão se confirme, a Selic cairá para 14,25% ao ano.

Após esse movimento, o banco espera que os juros permaneçam estáveis até o fim de 2026.

“O principal risco é que continuar cortando juros amplifique a desancoragem das expectativas e reduza o espaço para flexibilização monetária em 2027”, afirmou a instituição.

Dívida pública avança e déficit segue pressionado

No campo fiscal, o banco também piorou suas projeções para a dívida pública. A expectativa para a dívida bruta do governo geral passou para 80,9% do PIB em 2026 e 85% do PIB em 2027.

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A revisão ocorre em meio ao aumento dos gastos parafiscais anunciados desde meados de 2025, que, segundo o BTG, já somam cerca de R$ 275 bilhões. Apenas neste ano, essas medidas devem injetar mais R$ 142 bilhões na economia.

Com isso, o banco projeta déficit nominal equivalente a 8,9% do PIB em 2026 e 8,4% do PIB em 2027, refletindo principalmente o aumento das despesas com juros.

Na avaliação da instituição, o acúmulo de estímulos à demanda reduziu o espaço para novos cortes da taxa Selic, ao mesmo tempo em que elevou os desafios para a trajetória fiscal.

Crescimento mais forte em 2026, mas desaceleração em 2027

Apesar do cenário mais pressionado para inflação e contas públicas, o BTG elevou ligeiramente sua projeção de crescimento para 2026.

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A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,9% para 2%, após a divulgação de um primeiro trimestre mais forte e indicadores preliminares que apontam continuidade da resiliência da atividade econômica.

Por outro lado, a visão para 2027 ficou mais cautelosa. A projeção de crescimento foi reduzida de 1,6% para 1,1%, diante da expectativa de juros elevados por mais tempo e de um impulso fiscal próximo da neutralidade.

Petróleo, Oriente Médio e câmbio no radar

No cenário externo, o BTG destacou que o conflito no Oriente Médio segue como um dos principais fatores de risco para a economia global. As restrições no Estreito de Ormuz mantêm a preocupação com novas pressões sobre os preços da energia e os custos de transporte.

Para o Brasil, contudo, a alta do petróleo tem efeito ambíguo. O banco avalia que os preços mais elevados da commodity, combinados ao aumento dos volumes exportados, reforçam a perspectiva de um superávit comercial de US$ 90 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027.

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Com isso, a instituição manteve sua projeção de câmbio em R$ 4,90 por dólar ao final de 2026, apoiada por um cenário de fluxo comercial robusto, termos de troca favoráveis e diferencial de juros ainda elevado.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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