Selic: Os pontos cruciais que o Copom está de olho para a decisão desta quarta (18)
A Super Quarta volta ao radar dos investidores nesta semana, quando autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas novas decisões de juros em um ambiente de elevada incerteza global.
No Brasil, o mercado acompanha de perto a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para quarta-feira (18). A Taxa Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025, patamar mais alto em quase 20 anos e considerado bastante restritivo.
A decisão ocorre em um momento em que os dados mais recentes da economia ajudam a calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária, enquanto o cenário externo também adiciona pressão ao debate.
A escalada das tensões no Oriente Médio levou o preço do petróleo novamente para acima de US$ 100 por barril, reacendendo preocupações com possíveis impactos inflacionários globais.
Conforme anunciado pela última comunicação do BC, o ciclo de afrouxamento monetário inicia nesta próxima reunião, basta saber o tamanho do corte: 0,25 pontos percentuais, ou 0,50 p.p.
Inflação acelera em fevereiro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, subiu 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa aceleração frente à alta de 0,33% registrada em janeiro. Em fevereiro de 2025, a variação havia sido de 1,31%.
No acumulado de 12 meses, a inflação soma 3,81%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O dado também veio acima das expectativas do mercado. A mediana das projeções coletadas pelo Broadcast apontava para alta de 0,63% no mês e inflação de 3,74% em 12 meses.
Mercado de trabalho segue aquecido
Os dados mais recentes do mercado de trabalho continuam apontando para baixo desemprego e criação de vagas formais.
A taxa de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, praticamente estável em relação ao trimestre móvel anterior, quando havia marcado 5,1%.
Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o Brasil criou 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro de 2026.
O resultado veio acima da expectativa de 92 mil postos, segundo a mediana das projeções do Broadcast. No período, foram registradas 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o saldo de empregos com carteira assinada no país soma 1.228.483 vagas.
Economia cresce, mas em ritmo moderado
Do lado da atividade, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, segundo dados do IBGE.
No acumulado do ano, a economia registrou expansão de 2,3%, resultado em linha com as expectativas do mercado, segundo a mediana das projeções do Broadcast.
O avanço da economia em 2025 foi puxado principalmente pela agropecuária, que cresceu 11,7%, seguida pelos serviços (1,8%) e pela indústria (1,4%).
Choques externos e petróleo
A escalada das tensões no Oriente Médio também entrou no radar dos investidores. O preço do petróleo voltou a disparar e superar o patamar dos US$ 100 por barril, em meio ofensivas e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity.
A alta do petróleo aumenta o risco de pressões inflacionárias no mundo e por aqui não seria diferente, já que o combustível tem impacto relevante sobre os preços ao consumidor e os custos de transporte.
Diante desse cenário, o governo editou uma Medida Provisória para conter o avanço do diesel. O texto zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, reduzindo R$ 0,32 por litro, e prevê uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, que deverá ser repassada ao consumidor.
Somadas, as duas medidas podem gerar alívio de até R$ 0,64 por litro nas bombas, segundo o governo. A MP também cria um Imposto de Exportação como instrumento regulatório para estimular o refino no país e ampliar o abastecimento interno, além de reforçar a fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no mercado de combustíveis.