Juros

Selic pode chegar a 12,5%, mas ‘porém’ segue no radar, diz economista-chefe da Franklin Templeton Brasil

05 ago 2026, 12:10 - atualizado em 05 ago 2026, 12:16
Adauto Lima, economista-chefe da Franklin Templeton Brasil (Imagem: Divulgação)

A melhora recente dos indicadores de inflação e alguns sinais de desaceleração da atividade abrem espaço para o Banco Central seguir reduzindo a taxa Selic, mas não são suficientes para que o Comitê de Política Monetária (Copom) abandone a cautela.

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Na avaliação de Adauto Lima, economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, o cenário ficou mais favorável no curto prazo, mas a resiliência do mercado de trabalho, a inflação de serviços, fiscal e os riscos externos ainda recomendam prudência na condução dos juros.

Lima vê sinais de acomodação da economia em indicadores de demanda final, crédito e produção. O mercado de crédito, segundo ele, já vem perdendo força e representa um dos canais pelos quais a política monetária começa a atuar sobre a atividade. Ao mesmo tempo, a inflação de curto prazo trouxe notícias mais benignas ao Banco Central.

O ponto de divergência do economista está justamente no mercado de trabalho. Para ele, a desaceleração das contratações não significa necessariamente uma perda relevante de força da demanda por mão de obra.

“O mercado de trabalho continua apertado. A redução do é mais por falta de gente para contratar do que propriamente diminuição de demanda”, afirmou.

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A leitura é relevante para a trajetória da Selic porque um mercado de trabalho ainda apertado pode manter pressão sobre salários e, consequentemente, sobre os serviços mais sensíveis à mão de obra. “A resiliência da inflação de serviços […] aquele serviço que vai ter impacto de trabalho, ela não melhorou”, disse.

Na avaliação de Lima, portanto, o BC tem motivos para reconhecer uma melhora no cenário inflacionário, mas ainda não para considerar que o processo de desinflação esteja consolidado. “Eu vejo aqui um risco não tão claro assim de desinflação”, afirmou.

Copom deve adotar comunicação mais neutra

Nesse ambiente, Lima espera que o Copom siga reduzindo a Selic na próxima reunião, mas avalia que a comunicação deve ser mais cautelosa do que a adotada anteriormente. Para ele, o Banco Central deve evitar sinalizar que o corte representa uma sequência automática de reduções.

“Não acho que ele sinalize que essa queda é […] preparada. Vamos parar para observar. É mais informações sobre a evolução do quadro”, afirmou.

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O economista também espera uma tentativa de tornar o comunicado mais neutro depois dos ruídos provocados pela comunicação da reunião anterior. Segundo Lima, o próprio Banco Central reconheceu posteriormente que a forma como a mensagem foi apresentada gerou confusão.

“Acho que eles vão tentar deixar mais neutro, talvez melhorar um pouco a comunicação. E eles mesmos reconheceram que a maneira que foi exposto, que foi escrito, causou confusão”, disse.

Na avaliação de Lima, a autoridade monetária deve deixar mais espaço para observar os próximos dados antes de se comprometer com uma trajetória para a Selic. A melhora recente da inflação e a desaceleração da atividade dão suporte a novos cortes, mas a combinação de mercado de trabalho apertado e inflação de serviços resistente impede uma sinalização mais agressiva.

Riscos ainda estão no radar

A possibilidade de o Copom reduzir a ênfase em alguns riscos altistas também existe, mas Lima não espera que o Banco Central simplesmente retire os riscos do cenário. O câmbio relativamente estável ajuda, segundo ele, a diminuir parte das preocupações que estavam presentes anteriormente, mas o ambiente externo continua adicionando incerteza.

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“O risco de política externa está cada vez maior, de extensões, tarifas, questões geopolíticas, da questão do petróleo”, afirmou.

Para o economista, o comportamento do petróleo e as tensões geopolíticas podem voltar a pressionar a inflação, enquanto a trajetória da política monetária americana também permanece como uma fonte de incerteza. Por isso, mesmo com uma inflação doméstica mais comportada, o Copom ainda precisa preservar margem de manobra.

A leitura ajuda a explicar por que Lima não vê uma sinalização clara de continuidade dos cortes na comunicação da próxima reunião. O BC pode reduzir os juros agora e, ao mesmo tempo, manter aberta a possibilidade de uma pausa caso os próximos dados não confirmem uma desaceleração suficiente das pressões inflacionárias.

Selic pode chegar a 12,5%, mas fiscal é decisivo

Apesar da cautela, Lima ainda vê espaço para uma redução relevante da taxa básica de juros em 2027. “Na média eu acho que ele consegue botar um ciclo de corte gradual chegando a 12,5%, mas com essa ressalva”, afirmou.

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A ressalva está principalmente na política fiscal. Caso o governo continue adicionando estímulos à demanda, o espaço para a política monetária avançar no ciclo de cortes pode diminuir.

“Se a política fiscal continuar pressionando, nós vamos acabar descobrindo o limite de corte”, disse.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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