fiscal

Sem ajuste fiscal, juros podem disparar e Ibovespa cair para até 116 mil pontos; como proteger a carteira?

13 ago 2026, 15:22
acoes-mercado-bdrs
(Imagem: Bigc Studio/ Canva Pro)

O Brasil não precisa chegar a uma crise de financiamento para o investidor começar a sentir no bolso os efeitos de uma piora fiscal. É esse o alerta da Empiricus Research em relatório divulgado nesta quinta-feira (13).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo a casa, a combinação de déficit primário, juros elevados e dívida crescente mantém um prêmio de risco relevante nos ativos brasileiros e, sem mudanças estruturais nas despesas obrigatórias, pode resultar em juros mais altos, real mais fraco, inflação e perda de valor dos ativos domésticos.

A fotografia atual ajuda a explicar a preocupação. Nos 12 meses até junho, o setor público acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. Com os juros nominais de R$ 1,16 trilhão, o déficit nominal chegou a R$ 1,32 trilhão, ou 9,99% do PIB. Enquanto isso, a dívida bruta alcançou R$ 10,8 trilhões, correspondente a 81,9% do PIB.

Para a Empiricus, o problema é que cumprir formalmente a meta fiscal não significa necessariamente colocar a dívida em trajetória sustentável. A casa destaca que o governo pode apresentar um resultado positivo para fins de cumprimento da regra enquanto mantém um déficit efetivo, já que determinadas despesas são excluídas da apuração da meta.

No primeiro semestre, por exemplo, a receita líquida do Governo Central avançou 5,6% acima da inflação, mas a despesa cresceu 12,3%, pressionada principalmente por gastos obrigatórios.

Quanto seria necessário para estabilizar a dívida?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A distância entre o resultado atual e o necessário para interromper a alta da dívida é um dos principais pontos levantados pela casa. Segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI) citada no relatório, considerando crescimento real de 2,3% e juro real implícito de 5%, o Brasil precisaria gerar um superávit primário recorrente de aproximadamente 2,1% do PIB para estabilizar a dívida.

Hoje, o resultado acumulado em 12 meses é um déficit de 1,19% do PIB. Isso significa uma diferença superior a 3 pontos percentuais do PIB, um esforço que, na avaliação da Empiricus, dificilmente seria obtido apenas com contingenciamentos pontuais ou receitas extraordinárias.

Com isso, o risco para os mercados aumenta. Caso os investidores concluam que a dívida não será estabilizada em um horizonte razoável, o prêmio exigido para financiar o governo tende a aumentar. Esse movimento pode contaminar os demais ativos por meio de juros reais maiores, pressão sobre o câmbio, piora das expectativas de inflação e menor espaço para cortes da Selic.

O que acontece com juros, dólar e Bolsa?

No cenário considerado severo pela Empiricus, em que os déficits primários continuam, não há revisão estrutural das despesas obrigatórias e a dívida caminha para perto de 95% do PIB, o DI janeiro de 2031 poderia subir para uma faixa entre 16,5% e 17,5%. O dólar poderia chegar a R$ 6,15 a R$ 6,65, enquanto o Ibovespa recuaria para 116 mil a 134 mil pontos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vale destacar que esses números não são uma previsão da Empiricus, mas um exercício de estresse e reprecificação. O relatório trabalha com três cenários, sendo o de ruptura considerado uma cauda, que exigiria uma combinação mais extrema de flexibilização fiscal, desancoragem das expectativas de inflação e ambiente externo desfavorável.

No cenário adverso, considerado menos grave, a deterioração seria gradual, com a dívida próxima de 90% do PIB. Nesse caso, a casa estima abertura de 100 a 160 pontos-base na curva longa, dólar entre R$ 5,65 e R$ 5,90 e queda de 15% a 20% da Bolsa, ficando nos 142 – 151 mil pontos.

A transmissão para os ativos ocorreria em etapas. Primeiro, os juros longos subiriam, derrubando os preços de títulos prefixados e indexados à inflação. Depois, um real mais fraco e expectativas de inflação mais pressionadas poderiam interromper o ciclo de cortes da Selic. Na Bolsa, empresas mais alavancadas, varejistas, construtoras e companhias de menor capitalização tenderiam a sofrer mais com o aumento do custo de capital e a piora do crédito.

Renda fixa também pode perder

O alerta da Empiricus não fica restrito à renda variável. A abertura da curva de juros pode provocar perdas relevantes por marcação a mercado em títulos de prazo mais longo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o relatório, uma alta de 2 pontos percentuais na curva poderia gerar perdas aproximadas de 7% a 8% em um título prefixado com duration de quatro anos, de 11% a 13% em um papel com duration de seis anos e de 18% a 25% em um IPCA+ longo com duration entre dez e 12 anos.

Para quem leva o título até o vencimento, a remuneração contratada é preservada, mas fundos, ETFs e investidores que precisem vender antes do prazo sentiriam a perda imediatamente.

A lógica por trás do cenário é o chamado efeito bola de neve: uma deterioração fiscal eleva os juros; juros maiores aumentam a despesa financeira do governo; o câmbio mais depreciado dificulta a desinflação; e um crescimento econômico mais fraco reduz a arrecadação. Ou seja, aquilo que não é corrigido pela política fiscal acaba sendo cobrado pelos preços de mercado e pela política monetária

Como proteger a carteira?

Diante desse cenário, a Empiricus recomenda reduzir a dependência do risco doméstico e montar uma carteira mais diversificada, combinando ativos internacionais, exposição ao dólar, proteção contra a inflação, ouro, crédito selecionado e estratégias de defesa para momentos de estresse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na renda variável internacional, a seleção inclui BDRs de Alphabet, Nvidia, Berkshire Hathaway e Eli Lilly. A ideia é buscar empresas globais com exposição a tecnologia, inteligência artificial, qualidade e crescimento, reduzindo a concentração em ativos brasileiros.

Para a parcela de renda fixa internacional, a casa cita o BIL, ETF que investe em títulos do Tesouro americano de curtíssimo prazo, e o STIP, voltado a títulos americanos indexados à inflação. Na B3, as alternativas indicadas são TBIL39 e BTIP39, respectivamente. Segundo a Empiricus, esses ativos combinam liquidez, exposição ao dólar e diversificação geográfica.

O ouro também entra como uma posição complementar de proteção. A indicação é o GOLB11, ETF do BTG Pactual que acompanha o Índice Futuro de Ouro B3. A tese é que o metal pode ajudar a diversificar a carteira em momentos de inflação, incerteza monetária ou maior aversão ao risco.

Já na parcela de caixa e crédito, aparecem o LIQB11, voltado à gestão de liquidez, além de ELDC15, debênture da Eldorado Brasil, e PEJA11, ligado à Prio. A Empiricus também cita ENDD11, fundo de infraestrutura com debêntures incentivadas, JURO11, fundo de crédito high grade com exposição a debêntures de infraestrutura, e KNIP11, fundo de CRIs indexados à inflação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para quem já tem exposição relevante à renda fixa de prazo longo, a casa sugere ainda proteção com opções de venda. Uma das estratégias combina o fundo PACB11, que investe em NTN-Bs longas, com uma put para limitar parte das perdas caso os juros reais subam. A Empiricus também cita uma put de B3 (B3SA3) como proteção para um cenário de deterioração fiscal, juros elevados e menor apetite por risco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar