Sem citar Lula, Temer pede projetos e pacto a candidatos; Zema defende ‘chacoalhada’ e Augusto Cury quer ser ‘voz da pacificação’
O ex-presidente da República, Michel Temer (MDB) defendeu, nesta terça-feira (12) que os pré-candidatos a presidente da República apresentem projetos para o País e abandonem as disputas pessoais nas eleições 2026. Durante o 15º Lide Brazil Investment Forum, em Nova York (EUA), Temer citou todos principais nomes da corrida eleitoral, exceto o do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cobrou que eles comecem a esboçar projetos concisos com propostas a serem apresentadas na campanha.
“A disputa não é de nome contra nome, mas de projetos com projetos. Eu, como eleitor, examino os projetos e decido o voto”, disse o ex-presidente. Temer afirmou que, caso fosse candidato e eleito presidente do Brasil – o que ocorreria pela primeira vez, já que ele assumiu a presidência após o impeachment de Dilma Rousseff – proporia um pacto entre os diferentes elos da política e sociedade.
“No terceiro o quarto dia de mandato, chamaria os dois poderes (Legislativo e Judiciário), porque há desarmonia, além de membros da sociedade civil, oposição e faríamos um pacto entre eles”, disse o ex-presidente que comandou o painel final no qual estavam dois pré-candidatos a presidente: Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Zema até tentou abraçar a bandeira da pacificação, mas não se conteve e atacou o PT ao citar seu período de sete anos e três meses como governador de Minas Gerais. “Quando fui candidato em 2018 tínhamos uma situação com o PT, que foi muito nocivo ao Estado e o antipetismo. Fizemos uma mudança na política mineira e, em 2022, o PT não teve e, em 2026, não terá candidato”, afirmou.
O ex-governador mineiro defende as privatizações e lembrou que apenas a Cemig não deixou de ser estatal em Minas e a Copasa está em processo para ser vendida. “Queremos fazer o mesmo no Brasil. Brasil precisa de uma chacoalhada, de um turnaround, uma virada”, disse. “Vou privatizar tudo que for possível“, concluiu Zema que, ao contrário do que tem feito, não atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) e nem ministros da Corte durante sua fala.
O escritor Augusto Cury (Avante), que deve disputar sua primeira eleição na vida, se vendeu como a “voz da pacificação” em um cenário que a “polarização e a radicalização tornaram nossa nação ansiosa, o que é extremamente doentio”. Entre as propostas, Cury citou a de implantar 10 mil escolas de empreendedores em escolas e favelas e o empoderamento das mulheres.
Além desses, Cury citou a necessidade de criação de hubs de exportação e a maior abertura comercial no Brasil. “Temos que ser um país altamente produtivo e exportador e, para isso, é necessário o repaginamento das embaixadas para vender o Brasil não como fazenda, mas como supermercado do mundo”, afirmou Cury que também defendeu a criação de um Ministério da Robótica e Inteligência Artificial para lidar com os avanços da tecnologia.
Em vídeo gravado, Aldo Rebelo (DC), retomou o discurso de ataques a órgãos públicos e instituições e defendeu que o Brasil seja desinterditado, “pois está ocupado pelo Supremo Tribunal Federal, Ministério Público, Ibama, Ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas (sic)”.
Também em vídeo, Ronaldo Caiado (PSD), avaliou que o Brasil carece de líderes e de estadistas e que os governantes não pensaram em política estruturante e baixaram o nível com a polarização. “Criaram uma cultura que nunca foi a nossa e o leite derramado não vai voltar mais. A ferramenta é o voto.”