Sem entendimento sobre negociações entre EUA e Irã, petróleo Brent tem alta acima de 2%
O petróleo bruto Brent se recupera mais de 2% nesta segunda-feira (28), depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou um acordo de paz proposto pelo Irã para resolver o conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, mantendo elevadas as tensões no Oriente Médio.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 2,37, ou 2,27%, para US$ 106,70 por barril às 4h54 (Horário de Brasília), enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, estava cotado a US$ 94,24 por barril, uma alta de US$ 1,83, ou 1,98%.
O Irã anunciou uma proposta de paz na semana passada, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, afirmando que ela havia sido transmitida aos americanos por meio de mediadores do Catar. Trump disse no sábado que rejeitou o plano, mas afirmou à Axios, em uma entrevista por telefone neste domingo (27), que esperava que os negociadores americanos participassem de novas conversas nesta semana.
“A rejeição reduziu as esperanças de um avanço imediato, embora os esforços diplomáticos não tenham terminado”, disse Sugandha Sachdeva, fundadora da SS WealthStreet, uma empresa de pesquisa sediada em Nova Délhi.
“Para os contratos futuros do Brent, US$ 120 por barril continua sendo uma resistência crucial. Enquanto os preços não conseguirem se manter acima desse nível, uma retração continua sendo possível, especialmente se o transporte marítimo melhorar ou se as negociações avançarem.”
A coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen afirmou no sábado que havia interceptado dois mísseis balísticos e dois drones lançados pelos houthis, apoiados pelo Irã, em direção ao reino.
O Brent avançou 0,4% na semana passada, mas o WTI perdeu 7,9%, devido às preocupações de que os EUA possam proibir as exportações de diesel para aliviar os preços recordes, o que poderia reduzir a produção das refinarias americanas.
“Os produtos petrolíferos refinados continuam sendo um ponto de pressão, com os preços recordes do diesel nos EUA intensificando os riscos inflacionários e provocando um novo debate sobre possíveis restrições às exportações”, disseram analistas do ANZ em uma nota.
Qualquer restrição às exportações de diesel dos EUA reduziria a oferta fora do país, acrescentaram, com os preços europeus reagindo à perspectiva de uma redução no fornecimento americano.
Enquanto isso, as exportações de petróleo bruto dos principais produtores do Oriente Médio se recuperaram em setembro, alcançando 12,8 milhões de barris por dia, o nível mais alto desde o início da guerra, em fevereiro, mostraram dados preliminares da Kpler nesta segunda-feira, à medida que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aumentaram suas exportações.
A recuperação ocorreu após uma retomada dos embarques pelo Estreito de Ormuz, que, segundo os dados, deveriam atingir cerca de 7,4 milhões de barris por dia neste mês, enquanto a Arábia Saudita desviou as exportações do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para seu porto oriental de Ras Tanura, após ataques que danificaram seu oleoduto East-West.