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Senadores dos EUA discutem como seria um dólar digital na prática

The Block
01 jul 2020, 14:30 - atualizado em 23 mar 2021, 7:55
Nessa terça-feira (30), em uma audiência virtual, senadores americanos e defensores da indústria cripto debateram sobre o possível uso de um dólar digital (Imagem: Unsplash/@bermixstudio)

Senadores dos EUA apresentaram perguntas em uma discussão sobre assuntos relacionados a stablecoins (ativos de valor fixo) e um dólar digital ontem (30), durante uma audiência virtual.

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A audiência da Comissão de Assuntos Bancários, Habitação e Urbanos foi a reunião mais recente para o debate de assuntos relacionados a cripto, bem como da ampla narrativa sobre o futuro do dinheiro nos EUA.

A audiência focou no papel das moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês) no desenvolvimento de infraestruturas financeiras e para tornar serviços financeiros mais acessíveis a todos.

O painel de testemunhas contou com a presença de Chris Giancarlo, ex-presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) e líder do Digital Dollar Project; Charles Cascarilla, CEO da Paxos; e Nakita Cuttino, professora da Faculdade de Direito da Universidade Duke.

Tratando de questões em relação ao futuro do dinheiro, o senador Sherrod Brown pediu que o painel de testemunhas explicasse como um ecossistema de criptomoeda funcionaria com eficácia sem que o sistema bancário tradicional service de mecanismo de apoio.

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“O sistema bancário dos EUA deve ser um bem público para todos”, afirmou o senador Brown.

No geral, os senadores pareciam interessados em entender o mecanismo de como uma plataforma de moeda digital acabaria substituindo o sistema bancário existente.

Ao mesmo tempo, havia um certo grau de ceticismo em relação à possibilidade de empresas de tecnologia conseguiram executar o propósito que estavam defendendo, dado que o senador Brown afirmar que, historicamente, grandes empresas de tecnologia não terem cumprido com suas promessas ambiciosas.

Ex-presidente do CFTC afirma que os Estados Unidos deveriam tomar a liderança na disputa pelo futuro das criptomoedas e dos direitos de privacidade, mas o país ainda parece estar relutante à mudança (Imagem: Pixabay/geralt)

Por outro lado, as testemunhas pareciam mais focadas em falar sobre a inevitabilidade do abalo das criptomoedas pois, em sua opinião, iria acontecer ao sistema bancário atual.

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Em seu testemunho, Giancarlo falou sobre como os Estados Unidos deveriam tomar a liderança na disputa pelo futuro das criptomoedas e dos direitos de privacidade.

Ele também disse que o Congresso deveria focar na inclusão financeira, na resiliência e no desenvolvimento de CBDCs. Podemos e devemos tomar decisões políticas conforme exploramos essa nova forma de dinheiro.

“Grande parte das grandes commodities mundiais são precificadas em dólares. Já que todas estão migrando para formatos programáveis, é importante que o dólar também se torne programável e digital”, afirmou Giancarlo.

Um horizonte de criptomoedas?

O senador John Kennedy perguntou às testemunhas quais passos o Congresso precisaria tomar para que cidadãos americanos tivessem acesso a uma moeda digital.

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Segundo Giancarlo, o Federal Reserve esteve pesquisando bastante sobre possíveis caminhos para uma CBDC.

Ele recomendou que o Federal Reserve e o Tesouro dos EUA colaborassem para criar projetos-piloto, tanto locais como nacionais, usando o setor privado para testar o design e outros protocolos, citando reservas e benefícios para veteranos como exemplos de futuras iniciativas.

Acesso desigual, altos custos, restrições geográficas e dinâmicas de confiança são alguns aspectos a serem resolvidos quando (Imagem: Freepik)

“Devíamos começar devagar, aprender o que aprendemos, se afastar e, então, dar o próximo passo”, disse Giancarlo. “O Congresso precisa ter certeza de que a política pública seja criada nesse futuro do dinheiro e que nosso filhos e netos possam usá-lo por muito tempo.”

Cascarilla sugeriu a criação de uma estrutura regulatória, bem como o acesso a fornecedores de serviços não bancários de pagamentos.

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Na audiência, Cascarilla deu o exemplo das stablecoins, que ele definiu como “tokens que representam dólares em proporção 1:1 em um blockchain” para explicar por que os EUA deveriam implementar o dólar digital.

Seus principais motivos para a implementação foram a inclusão financeira, a mobilização de capital e reduções de custo, bem como um maior nível de transparência.

“Vemos stablecoins como a próxima evolução do dólar”, disse Cascarilla.

As testemunhas enfatizaram a importância da inclusão financeira e do acesso igualitário a serviços financeiros.

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Cuttino enfatizou a necessidade de solucionar as “fricções” existentes no sistema atual de pagamentos, citando acesso desigual, altos custos, restrições geográficas e dinâmicas de confiança em algumas áreas que precisam de mais atenção.

Custos de transação devem ser baixos e deve existir uma forma de preencher a lacuna entre o dinheiro físico e o digital, acrescentou ela.

O senador Mike Rounds perguntou às testemunhas sobre quem seriam os ganhadores e os perdedores na indústria financeira caso o Congresso desse início a um projeto-piloto de CBDC.

Giancarlo afirmou que os vencedores dessa iniciativa serão aqueles que poderão usar a tecnologia para obter um custo menor e mais velocidade, enquanto os perdedores serão aqueles que não conseguirão se adaptar.

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Ele afirmou que a iniciativa traria benefícios sociais e nacionais e que os players mais bem-adaptados sobreviveriam.

Cuttino disse que a regulamentação terá um papel fundamental em certificar que existam poucos perdedores enquanto Cascarilla disse que aqueles que não aderirem à inovação teriam muito o que perder em termos de igualdade, eficácia e inclusão.

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