SLC Agrícola (SLCE3) ou BrasilAgro (AGRO3)? XP atualiza preços-alvo e divulga prévias do 4T25; saiba o que esperar
A XP Investimentos divulgou sua prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) para SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3), reforçando a recomendação neutra para ambas as ações.
Os analistas reduziram o preço-alvo da SLC Agrícola de R$ 18,60 para R$ 16,40, enquanto elevaram o da BrasilAgro para R$ 22,50 (ante R$ 22,00).
Em seu relatório de oferta e demanda, a XP elevou as estimativas de produção de soja, principalmente em função de maiores produtividades, favorecidas por condições climáticas mais benignas.
Pelo lado positivo, as perspectivas de produtividade indicam que ambas as companhias não devem ficar abaixo do guidance, após a frustração observada na safra 2024/25.
Por outro lado, safras recordes no Brasil, combinadas com estoques de grãos revisados para cima nos Estados Unidos, reforçam a visão de um supply-driven bear market (mercado de baixa impulsionado pelo excesso de oferta).
O que esperar no 4T25: SLC Agrícola x BrasilAgro
SLC Agrícola (SLCE3)
O 4T25 deve ser fraco e sem catalisadores para a ação. A companhia segue pressionada por um cenário de excesso de oferta global de grãos, com safras recordes no Brasil e estoques elevados nos EUA, o que mantém os preços em patamares abaixo do esperado.
A receita líquida deve ficar praticamente estável, em torno de R$ 2,1 bilhões, com volumes mais fortes de milho compensando preços mais fracos de soja e algodão.
Ainda assim, a margem bruta deve recuar, refletindo principalmente o desempenho mais fraco do algodão, apesar de uma melhora relevante ano a ano nas margens da soja, beneficiada por uma base de comparação mais fraca.
“Esperamos SG&A mais elevada, em função de maiores custos de exportação do algodão e aumento de despesas com royalties. Com isso, o Ebitda ajustado deve cair 17% na comparação anual, para cerca de R$ 578 milhões. A leitura é de continuidade de margens comprimidas e geração de caixa pressionada, o que sustenta a recomendação neutra”, explicam Leonardo Alencar, Samuel Isaak e Pedro Fonseca, da XP.
BrasilAgro (AGRO3)
Para a BrasilAgro, o 4T25 também deve ser fraco, porém sem surpresas negativas relevantes. No negócio agrícola, os resultados devem apresentar leve melhora sequencial, mas ainda refletindo um ano desafiador, marcado por quebras de produtividade e impactos climáticos adversos.
O principal ponto de pressão no trimestre deve vir do segmento de cana-de-açúcar, com produtividades mais baixas afetando o desempenho consolidado.
“No agregado, projetamos queda de 38% ano a ano no Ebitda ajustado do segmento agrícola, sem que o trimestre funcione como catalisador para o papel. No negócio imobiliário rural, não esperamos vendas relevantes no curto prazo — o cenário atual favorece mais aquisições de fazendas do que desinvestimentos”, pontuam os analistas.
Ainda assim, a AGRO3 apresenta melhor carry relativo em comparação à SLC Agrícola, sustentado por recebíveis de vendas de fazendas, o que ajuda a amortecer o impacto de um trimestre operacionalmente mais fraco.