Sócio da Cordier chama atenção à ‘premissa por trás do PLOA 2027’; superávit pequeno pode virar déficit?
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê um superávit primário equivalente a 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, isso representa cerca de R$ 18,6 bilhões. Para Gustavo Pedroso, sócio da Cordier, o número é frágil e, no pior dos cenários, pode virar déficit.
Em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube, Pedroso explica que o projeto de lei prevê um superavit primário pequeno, que tecnicamente cumpre a meta fiscal, mas “raspando na banda do piso de tolerância”.
Com isso em mente, o sócio chama atenção a premissa por trás do número:
“O governo está contando com o crescimento da receita bem otimista para sustentar mais um ano de aumento de gastos, sem de fato cortar ou reestruturar a despesa. A parte relevante dessa receita vem de algumas fontes que já frustraram antes, como os leilões de petróleo, por exemplo”.
Assista a entrevista na íntegra:
PLOA 2027: Superávit pequeno pode virar déficit?
Pedroso aponta que, se a economia vier mais fraca que o previsto ou se as receitas extraordinárias não entrarem, o caminho natural do governo deve ser o contingenciamento de gastos ao longo do ano. Ou, em um cenário pior, pode transformar o superávit pequeno em déficit.
“Então eu não trato isso como um orçamento de alívio fiscal, é um orçamento que empurra o ajuste para depois, apostando que o crescimento resolve o problema sozinho, o que não vai acontecer.”
Segundo o sócio, o risco fiscal percebido continua sustentando um prêmio nos juros longos brasileiros, mesmo com a queda da taxa Selic no curto prazo.
“Sem uma melhora nas expectativas [da questão fiscal], a gente ainda vai ter um caminho bem longo até que as coisas comecem a melhorar”.
*Sob supervisão de Renan Sousa