STF pode aumentar risco do Brasil e alta de juros nos EUA testa humor do mercado, afirma analista da Cordier
O mercado financeiro encara uma semana de decisões importantes, com a possível alta dos juros nos EUA no radar, os desdobramentos políticos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e mudanças na dinâmica das ações ligadas à inteligência artificial (IA).
Para Leandro Nogueira, sócio e head de renda variável da Cordier, uma eventual elevação da taxa de juros pode marcar o início de um novo ciclo de aperto monetário. Segundo ele, a intensidade desse movimento será determinante para a reação dos ativos.
“A possível alta de juros amanhã pode inaugurar um ciclo de aperto”, afirmou Nogueira. Na avaliação do especialista, o mercado já precifica uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima decisão.
Confira a análise completa no Giro do Mercado:
Nogueira destaca, porém, que o movimento pode não terminar na reunião desta semana. Considerando a expectativa para os juros futuros para o próximo ano. Ele afirma que o mercado trabalha com a possibilidade de mais duas ou três altas após o primeiro aumento.
O especialista pondera que essa é uma fotografia das expectativas atuais. Como as projeções e as taxas de longo prazo podem mudar rapidamente, será necessário acompanhar a comunicação do Banco Central após a decisão.
STF entra no radar dos investidores
No Brasil, outro fator de atenção é a decisão do STF sobre a abertura ou não de uma investigação envolvendo o ministro da Suprema Corte, Alexandre de Moraes. Para Nogueira, os efeitos desse episódio podem aparecer principalmente na percepção de risco do país.
“Esse caso recai sobre o preço do risco, não necessariamente sobre o preço dos ativos”, afirmou.
O especialista também relaciona o episódio ao cenário eleitoral, que tem Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro entre os principais protagonistas. Segundo ele, os desdobramentos envolvendo Moraes podem influenciar a percepção sobre os candidatos e, consequentemente, as próximas pesquisas eleitorais.
“A próxima pesquisa deve precificar isso”, disse.
Investidor estrangeiro pode reagir
Na avaliação de Nogueira, um dos pontos mais importantes é observar como o investidor estrangeiro interpreta a condução do caso.
Caso prevaleça a percepção de que o episódio foi “colocado a panos quentes”, com uma eventual nulidade, o estrangeiro pode reduzir a disposição de alocar recursos no Brasil. Por outro lado, a abertura de uma investigação poderia prolongar a crise, mas também transmitir a percepção de que as instituições estão funcionando.
“Se houver a sensação de que a situação foi colocada a panos quentes, com nulidade, isso leva o investidor estrangeiro a colocar menos dinheiro no Brasil”, explicou.
Para o especialista, um eventual pedido de vista também seria relevante para os mercados, já que prolongaria o período de incerteza.
“Caso aconteça um pedido de vista, a incerteza vai ser estendida”, concluiu.
Novo trade de IA
No exterior, Nogueira vê o surgimento de uma nova dinâmica para os investimentos relacionados à inteligência artificial. Para ele, o debate sobre os limites dos avanços da tecnologia pode alterar a trajetória dos investimentos das empresas.
“Acreditamos que existe um novo trade de IA”, disse.
O especialista chama atenção para declarações recentes de executivos do setor defendendo uma desaceleração nos avanços para que haja tempo de construir sistemas de proteção. Esse movimento já estaria aparecendo no comportamento das ações: enquanto papéis de semicondutores recuam, empresas mais ligadas a software avançam.
O cenário, contudo, é agravado pela disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Donald Trump defende a continuidade do ritmo de desenvolvimento para que os EUA não percam espaço para os chineses. “Por isso temos essa volatilidade do mercado”, explicou Nogueira.
*Com supervisão de Renan Sousa