Último corte na Selic ou ainda tem espaço para mais? Veja as projeções dos bancos
O mercado parece ter poucas dúvidas sobre o próximo passo do Comitê de Política Monetária (Copom), mas a fotografia fica bem menos uniforme quando o horizonte se estende até dezembro.
Entre 16 bancos e casas de análise consultados pelo Money Times, todos esperam que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na decisão desta quarta-feira (16), levando a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano.
A unanimidade, porém, termina aí. Para o fim de 2026, as projeções variam entre 13,25% e 13,75%, mostrando que o mercado ainda discute se haverá espaço para novos cortes nas últimas reuniões do ano.
A visão predominante é justamente a mais conservadora. Genial Investimentos, Citi, BB Investimentos, BTG Pactual, C6 Bank, Santander, Bradesco, Itaú Unibanco, JPMorgan e Goldman Sachs projetam a Selic em 13,75% no encerramento de 2026. Nesse cenário, o corte desta semana seria o último do ano.
Na outra ponta estão XP Investimentos, BofA, Inter e ASA, que esperam a taxa básica em 13,25% em dezembro. As projeções indicam, portanto, espaço para mais 0,50 ponto percentual de flexibilização depois da reunião desta semana.
O Safra ocupa uma posição intermediária, com projeção de 13,50% para o encerramento do ano.
Inflação e expectativas entram na conta
O tamanho do espaço para novos cortes dependerá, sobretudo, da evolução da inflação e das expectativas para os próximos anos.
Os dados correntes têm mostrado uma dinâmica mais favorável. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%. Os núcleos também apresentaram comportamento mais benigno, ainda que permaneçam acima do nível compatível com a meta.
Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar sinais de moderação, embora o mercado de trabalho continue apertado. O PIB avançou 0,5% no segundo trimestre, enquanto a taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho.
Nesse ambiente, o desafio do Banco Central será calibrar até onde pode levar o ciclo de flexibilização sem comprometer a convergência da inflação à meta. Além do corte em si, os investidores estarão atentos ao tom do comunicado do Copom, principalmente às indicações sobre os próximos passos e à avaliação do colegiado sobre as expectativas de inflação.
E em 2027?
As diferenças ficam ainda maiores quando o horizonte avança para o próximo ano.
Entre as instituições que divulgaram projeções para 2027, o Bradesco apresenta a estimativa mais baixa, de 11% ao ano. A XP espera 11,50%, enquanto Genial, BofA, Goldman Sachs, Safra e ASA projetam 12%.
O Citi, por sua vez, tem a estimativa mais elevada entre as casas com projeção disponível, de 12,50%.
| Casa | Corte esperado nesta reunião | Selic no fim de 2026 | Selic no fim de 2027 |
|---|---|---|---|
| XP Investimentos | 0,25 p.p. | 13,25% | 11,50% |
| Genial Investimentos | 0,25 p.p. | 13,75% | 12,00% |
| Citi | 0,25 p.p. | 13,75% | 12,50% |
| BB Investimentos | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| BTG Pactual | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| C6 Bank | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| Santander | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| Bradesco | 0,25 p.p. | 13,75% | 11,00% |
| Itaú | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| JPMorgan | 0,25 p.p. | 13,75% | — |
| BofA | 0,25 p.p. | 13,25% | 12,00% |
| Goldman Sachs | 0,25 p.p. | 13,75% | 12,00% |
| Inter | 0,25 p.p. | 13,25% | — |
| Safra | 0,25 p.p. | 13,50% | 12,00% |
| ASA | 0,25 p.p. | 13,25% | 12,00% |