Taiwan diz que transferência de 40% da capacidade de chips para os EUA é “impossível”
Seria “impossível” transferir 40% da capacidade de semicondutores de Taiwan para os Estados Unidos, afirmou a principal negociadora tarifária da ilha, rebatendo comentários recentes de autoridades norte-americanas que defenderam uma grande mudança na produção.
Em entrevista ao canal de televisão taiwanês CTS, exibida neste domingo (8), a vice-primeira-ministra de Taiwan, Cheng Li-chiun, disse ter deixado claro a Washington que o ecossistema de semicondutores de Taiwan, construído ao longo de décadas, não poderia ser realocado.
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“Deixei isso muito claro aos Estados Unidos: isso é impossível”, disse ela, referindo-se à meta de 40% mencionada pelos EUA.
Segundo Cheng, esse ecossistema continuará a crescer em Taiwan, acrescentando que a indústria de semicondutores seguirá investindo no país.
“Nossa capacidade total (em Taiwan) só continuará a crescer”, afirmou. “Mas podemos expandir nossa presença nos Estados Unidos”.
“Nossa expansão internacional, incluindo o aumento de investimentos nos Estados Unidos, parte do princípio de que permanecemos firmemente enraizados em Taiwan e continuamos a ampliar os investimentos no país”.
Na semana passada, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse que o governo precisava trazer a produção de semicondutores para os Estados Unidos.
“Não se pode ter toda a fabricação de semicondutores a 80 milhas da China”, afirmou. “Isso simplesmente não é lógico… Então precisamos trazê-la de volta”.
“Quando deixarmos o cargo, meu objetivo, para esta administração, é ter 40% de participação de mercado na fabricação de semicondutores de ponta”.
Acordo para reduzir aumento de tarifas
Taiwan e os Estados Unidos chegaram a um acordo no mês passado para reduzir as tarifas sobre as exportações da ilha de 20% para 15% e para que Taiwan aumente seus investimentos no país.
Cheng disse que não haverá realocação dos parques científicos de Taiwan, mas que o país está disposto a compartilhar sua experiência na construção de clusters industriais e ajudar os EUA a desenvolver um ambiente semelhante.
Ela também afirmou estar confiante de que a capacidade de semicondutores de Taiwan — incluindo projetos existentes, em construção e planejados nas áreas de manufatura avançada, encapsulamento avançado e em toda a cadeia de suprimentos — superará amplamente seus investimentos nos Estados Unidos ou em qualquer outro país.
Ameaças de mais tarifas
Em entrevista à CNBC no mês passado, Lutnick disse que seu objetivo era levar 40% de toda a cadeia de suprimentos e produção de chips de Taiwan para os Estados Unidos. Ele afirmou que, caso isso não aconteça, as tarifas sobre Taiwan provavelmente subiriam para 100%.
Em setembro, Lutnick disse à rede de televisão norte-americana NewsNation que a proposta de Washington a Taiwan seria uma divisão de 50% para cada lado na fabricação de chips, cuja grande maioria hoje é produzida na ilha.
Taiwan rejeitou essa ideia na época.
A TSMC, maior fabricante de chips sob contrato do mundo, está investindo US$ 165 bilhões para construir fábricas no estado do Arizona, nos Estados Unidos.