Tarcísio diz que não colocaria o boné de Donald Trump novamente
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (4) que não voltaria a usar o boné do movimento “Make America Great Again” (Maga), do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o tarifaço imposto pelo governo americano a produtos brasileiros.
No dia 20 de janeiro de 2025, Tarcísio publicou um vídeo nas suas redes sociais vestindo o acessório para comemorar a posse de Trump na presidência dos Estados Unidos. Na legenda, o governador escreveu a frase “Grande dia! Make America Great Again”.
“Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu coloquei o boné naquela situação da posse”, disse Tarcísio em entrevista à RedeTV!. “Não colocaria de novo. Mas eu acho que isso não tem nada a ver com aquilo que vem depois.”
O chefe do Executivo paulista também minimizou a influência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a decisão do governo americano e afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não teria peso para determinar a medida. Segundo Tarcísio, a atribuição de responsabilidade ao ex-parlamentar é uma “narrativa”, uma vez que os Estados Unidos abriram há um ano uma investigação contra as práticas comerciais brasileiras e possuem interesses próprios.
Para mitigar os efeitos do tarifaço, Tarcísio afirmou que o governo paulista liberou e estabeleceu um calendário para o pagamento de créditos acumulados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a fim de dar fôlego financeiro às empresas. De acordo com o governador, a medida deve ser repetida em um eventual segundo mandato, caso o tarifaço seja mantido.
O governador acrescentou que cabe ao Itamaraty conciliar os interesses americanos com os do Brasil e observou que o País teve um ano para se preparar para o tarifaço.
Republicanos e Flávio Bolsonaro
Falando sobre as as eleições 2026, o governador admitiu que a decisão de seu partido de não integrar a aliança nem indicar a candidata a vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) reduzirá o tempo de propaganda eleitoral do presidenciável, mas não deverá causar prejuízo significativo à campanha.
“A minha posição foi de apoio ao Flávio Bolsonaro, foi a posição que a gente externou para a presidência do partido”, disse Tarcísio. “O partido tomou uma decisão baseada na posição dos diretórios estaduais, que por sua maioria optaram pela neutralidade.”
A resolução foi formalizada na convenção nacional da legenda, nesta terça, pelo presidente nacional da sigla, Marcos Pereira. O PL trabalhava para ter Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, como vice.
“Claro que tem um prejuízo à campanha do Flávio em função do tempo de TV, é menos tempo de TV que o Flávio vai dispor, mas eu não acredito que seja um prejuízo muito importante”, disse Tarcísio. “Aqui em São Paulo a gente vai estar muito comprometido com a campanha do Flávio.”
Ao comentar o envolvimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o governador afirmou que cobrou, inclusive publicamente, explicações sobre o áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro para financiar o filme sobre a história do ex-presidente. Na avaliação de Tarcísio, Flávio prestou os esclarecimentos ao longo do tempo e o debate deve agora se concentrar em projetos para o País.