Algumas empresas vão ter um desafio maior com novas tarifas dos EUA, avalia especialista da Safira Investimentos; veja os setores mais afetados
O novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros voltou ao radar dos investidores e adiciona mais um fator de incerteza para o mercado, especialmente para empresas exportadoras.
Após a confirmação de uma taxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, o governo americano também indicou uma tarifa adicional de 12,5%, ampliando o alcance das medidas comerciais. A aplicação e o escopo ainda geram dúvidas no mercado, mas o movimento reforça o cenário de cautela.
Para Rodrigo Laborne, especialista da Safira Investimentos, o impacto das tarifas tende a ser mais concentrado em setores específicos do que na economia como um todo. “O efeito macro talvez seja menor do que o mercado coloca, mas algumas empresas vão ter um desafio maior”, afirmou no Giro do Mercado desta quarta-feira (03).
Segundo ele, companhias mais expostas ao comércio internacional devem sentir com mais intensidade o novo ciclo de restrições. Exportadoras relevantes, como industriais e de bens de capital, tendem a enfrentar pressão adicional sobre margens e competitividade.
Apesar disso, Laborne destaca que o choque atual parece menos intenso do que o observado em episódios anteriores. “No macro, acho que o efeito é menor do que a gente teve na primeira vez”, disse.
O especialista também chama atenção para o caráter político das medidas anunciadas pelos Estados Unidos. “Quanto maior a influência em determinados mercados, maior tende a ser o efeito que ele espera causar”, afirmou, ao comentar a atuação do governo americano.
Na prática, o retorno das tarifas reacende preocupações com o ambiente externo e pode afetar o desempenho de ações ligadas à exportação, mesmo sem provocar, por ora, uma deterioração mais ampla da atividade econômica.
O cenário segue em aberto, já que o governo brasileiro ainda pode recorrer das medidas, enquanto investidores monitoram os desdobramentos e possíveis impactos sobre setores específicos da bolsa.
*Com supervisão de Juliana Américo