Taxas dos DIs zeram altas com esperanças de reabertura do Estreito de Ormuz
Após sustentarem altas mais cedo, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se reaproximaram da estabilidade nesta quinta-feira e na sequência passaram a registrar leves perdas, em sintonia com a queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior, na esteira de notícias sobre o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz.
Com o petróleo reduzindo os ganhos e o dólar estável ante o real, às 12h22 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,69%, com baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,723% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,860%, praticamente estável ante 13,858%.
A sessão de quarta-feira havia sido marcada pelo otimismo após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado durante o dia à Reuters que encerraria a guerra contra o Irã em breve.
À noite, porém, ele contrariou o tom do discurso de mais cedo e afirmou que os EUA realizarão ataques agressivos ao Irã nas próximas duas ou três semanas, trazendo o país “de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”.
Assim, o petróleo disparou em Londres e em Nova York e os rendimentos dos Treasuries subiram, com receios de que a guerra possa impulsionar a inflação e exigir juros em níveis mais altos nos EUA.
No fim da manhã desta quinta-feira, porém, foram renovadas as esperanças dos investidores de uma reabertura do Estreito de Ormuz — por onde circulam 20% do petróleo e do gás negociados entre os países.
A agência de notícias oficial IRNA, do Irã, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito, citando o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi.
Em reação, os preços do petróleo desaceleraram e os rendimentos dos Treasuries viraram para o negativo. No Brasil, as taxas dos DIs migraram para o território negativo em alguns vencimentos, em um movimento de recuperação dos ativos de risco.
Ainda assim, entre investidores e analistas, a volatilidade recente dos mercados mantém as dúvidas sobre a decisão de política monetária do Banco Central no fim deste mês.
Na terça-feira — dado consolidado mais recente — as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 48,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em abril, 27,00% de chance de corte de 50 pontos-base e 15,00% de possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano.
No início da sessão desta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial no país avançou 0,9% em fevereiro ante janeiro e cedeu 0,7% contra fevereiro do ano passado. Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 12h22 desta quinta-feira:
| Mês | Taxa (% a.a.) | Ajuste Anterior (% a.a.) | Variação (p.p.) |
| JAN/27 | 14,02 | 14,034 | -0,014 |
| JAN/28 | 13,69 | 13,723 | -0,033 |
| JAN/29 | 13,64 | 13,674 | -0,034 |
| JAN/30 | 13,71 | 13,739 | -0,029 |
| JAN/31 | 13,77 | 13,798 | -0,028 |
| JAN/35 | 13,86 | 13,858 | 0,002 |