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Temporada de balanços do 4T25: Quais foram as primeiras impressões do BTG?

31 mar 2026, 12:07 - atualizado em 31 mar 2026, 12:07
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(Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

O BTG Pactual, com o fim da temporada resultados corporativos do quarto trimestre de 2025 (4T25), avalia que, à primeira vista, os balanços — excluindo Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3) — parecem bons.

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O banco destaca que a receita e lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) 4,4% e 2% acima das projeções do banco, respectivamente. O lucro, porém, ficou 14,8% abaixo do estimado pelo BTG.

Ao ajustar pelo resultados da Braskem (BRKM5), no entanto, que registrou prejuízo de cerca de R$ 10 bilhões no trimestre, o lucro líquido teria ficado apenas 3,2% abaixo das estimativas do banco.

“Considerando apenas as empresas doméstica, os resultados ficaram ligeiramente acima de nossas expectativas. A receita, o Ebitda e o lucro líquido superaram nossas estimativas em 3,8%, 1,5% e 1,5%, respectivamente, sugerindo que as commodities foram o principal fator de desvio em nossas expectativas de lucro líquido”, aponta.

Para os analistas do banco, 33% das empresas apresentaram resultados fortes no 4T25, número 3 pontos percentuais acima dos observados no ano anterior e 3 pp abaixo dos 36% registrado no trimestre anterior.

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Já a parcela de resultados fracos melhorou ligeiramente na comparação anual, passando de 34% para 27%. O número, contudo, piorou na comparação com o terceiro trimestre, quando 25% das empresas apresentaram balanços fracos.

A partir dessa dinâmica, o BTG considera que o resultado qualitativo dos balanços corporativos no 4T25 pioraram. No relatório, é destacado que as taxas de juros “extremamente altas” afetam a atividade econômica em geral, e o consumo mais especificamente, o que prejudica os resultados das empresas.

Para o primeiro trimestre de 2026, a expectativa do BTG é de tendência semelhante ao 4T25, embora a isenção de imposto de renda até R$ 5 mil, a possível redução nas taxas de juros ao longo do ano e a série de medidas tomadas pelo governo para injetar dinheiro na economia possam ajudar a reacelerar a atividade econômica em meados de 2026.

Quais segmentos ganharam e perderam no 4T25?

Segundo o BTG, na comparação anual, 14 dos 17 setores registraram crescimento na receita. A expansão da receita líquida, diz, foi impulsionada, em termos nominais, principalmente por alimentos e bebidas, seguido por varejo, enquanto os setores imobiliário, de infraestrutura e financeiro (ex-bancos) registraram o maior crescimento em termos percentuais.

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O setor papel e celulose, em contrapartida, foi um dos que ficaram para trás, principalmente devido ao desempenho da Suzano (SUZB3), que registrou um Ebitda muito mais fraco no interanual, já que os desafios cambiais e os preços mais baixos continuaram a pesar nos resultados, mesmo com volumes mais fortes, destaca o banco.

Em relação ao lucro, cinco dos 17 setores acompanhados pelo BTG registraram quedas na comparação anual.

O banco considera que o varejo também apresentou resultados do 4T25 fortes, com alta de 96% dos lucros na comparação com o igual período do ano anterior. Entre os destaques, o BTG menciona a Natura (NATU3).

“Embora os resultados operacionais recentes tenham sido melhores do que o esperado, continuamos a monitorar as tendências de recuperação das margens, a redução da alavancagem e a recuperação das vendas no Brasil e na América Latina antes de adotar uma postura mais otimista”, ponderam os analistas.

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Além disso, o BTG aponta que o segmento de saúde também foi um dos que mais brilharam no período em termos de crescimento dos lucros, com avanço de 54% na comparação anual e destaque da Hypera (HYPE3).

O setor de bens de capital, outro lado, apresentou resultados mais fracos no 4T25, com queda anual de 15% nos lucros líquidos, refletindo em grande parte um significativo desalavancagem operacional em todo o setor.

“Por serem empresas cíclicas, elas tendem a ser altamente dependentes do volume e das condições de financiamento, que continuam mais desafiadoras em um ambiente de taxas de juros ainda elevadas. Com a demanda mais fraca e a conversão de pedidos mais lenta, várias empresas enfrentaram mais dificuldades para absorver sua estrutura de custos fixos, o que acabou pesando sobre a rentabilidade”.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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