Tenda (TEND3): Ações disparam até 11% na bolsa após lucro 5 vezes maior; o que dizem os analistas?
Negociadas fora do Ibovespa, as ações da construtora Tenda (TEND3) reagem positivamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), chegando a saltar quase 11% no pregão desta sexta-feira (6). Entre analistas, a leitura é de que os números vieram em linha com as estimativas.
Por volta das 11h (horário de Brasília), os papéis da companhia subiam 10,35% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 30,17. Acompanhe o tempo real.
O que diz o BTG
A construtora teve lucro líquido consolidado de R$ 104,6 milhões entre outubro e dezembro do ano passado. O resultado equivale a cinco vezes o valor registrado no mesmo período de 2024, de R$ 21,3 milhões.
Para o BTG Pactual, o destaque ficou com a melhora operacional do negócio principal, que é voltado à baixa renda, mas ainda com pressões vindas da Alea, unidade do grupo baseada em estruturas pré-moldadas.
“No geral, os números vieram amplamente em linha com o que nós e o consenso de mercado prevíamos, apesar da geração de caixa livre ter ficado inferior à estimativa”, disse o banco em relatório.
A geração de caixa da companhia foi de R$ 25,6 milhões no 4T25, abaixo dos R$ 60 milhões projetados pela instituição.
Por segmento, as operações principais do grupo geraram R$ 76,2 milhões, o que, segundo o BTG, atesta a recuperação bem-sucedida da empresa, enquanto a Alea consumiu quase R$ 20 milhões.
“Em síntese, houve uma receita melhor do que o esperado, impulsionada pela marca Tenda [de baixa renda], que foi compensada por custos e despesas mais elevados, principalmente relacionados à Alea”, pontuou a casa.
“Analisando o panorama, 2025 foi um ano forte para a operação principal, que está preparada para um 2026 ainda melhor”, continuou, destacando que, embora o ano passado tenha sido desafiador para a Alea — com margens brutas negativas e prejuízos elevados — a queima de caixa apresentou melhora.
O BTG mantém recomendação de compra para as ações TEND3, com preço-alvo de R$ 44, o que representa potencial de valorização de cerca de 46% frente às cotações atuais.
O que diz o BBI
Na mesma linha, o Bradesco BBI avalia que os resultados evidenciam duas realidades distintas dentro da companhia: o forte desempenho da unidade voltada à habitação popular e os desafios ainda enfrentados pela subsidiária de estruturas pré-moldadas.
Para se ter uma ideia, a receita líquida consolidada do grupo atingiu R$ 1,18 bilhão no 4T25, avanço de 39% na comparação anual, elevando o total de 2025 para R$ 4,17 bilhões, alta de 27%.
A divisão focada na baixa renda respondeu pela maior parte desse resultado, com R$ 1,10 bilhão em receita, crescimento de 39% em um ano, enquanto a Alea registrou somente R$ 81,5 milhões, avanço de 38%.
Além disso, a unidade Tenda registrou lucro líquido de R$ 155 milhões no quarto trimestre, alta de 266% em relação ao mesmo período de 2024.
Já a Alea, por sua vez, teve prejuízo de R$ 50 milhões, contribuindo para que o lucro consolidado ficasse em R$ 105 milhões.
No acumulado de 2025, o grupo reportou lucro líquido de R$ 506 milhões, crescimento anual de 375%. Desse valor, a operação Tenda respondeu por R$ 636 milhões, enquanto a Alea apresentou prejuízo de R$ 130 milhões.
“Os números apontaram para duas realidades distintas nas unidades de negócios, como esperado. A marca principal continua a mostrar dinâmica positiva, enquanto as revisões orçamentárias da Alea foram maiores do que o projetado, embora com impacto limitado no resultado financeiro”, afirmou o BBI.
O impacto do balanço sobre a tese de investimento é neutro, segundo o banco, que vê espaço para uma eventual reavaliação das ações caso a empresa mantenha o bom desempenho da divisão principal e consiga estabilizar a subsidiária de estruturas pré-moldadas.
“Olhando para 2026, a administração espera que a Alea foque na estabilização e na redução do consumo de caixa”, disse a casa, destacando que tem observado aumento do interesse dos investidores pelos papéis TEND3, principalmente dos estrangeiros.