Tenda (TEND3) projeta virada da Alea com melhora de eficiência e redução de custos, dizem BTG e XP
A prioridade do grupo Tenda (TEND3) para a Alea, sua frente de negócios de casas pré-fabricadas, é estabilizar a execução nos canteiros de obras e avançar na verticalização das operações antes de retomar o crescimento.
A leitura é de analistas do BTG Pactual, que visitaram as instalações da companhia em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, para discutir as perspectivas da subsidiária de construção offsite.
Em relatório, o banco apontou que a rápida expansão da operação e a instabilidade da mão de obra foram os principais entraves da Alea até aqui.
Cabe lembrar que a subsidiária nasceu em 2021 com a ambição de chegar a 2026 com uma produção anual de 10 mil unidades, após uma fase inicial de ramp-up acelerado.
No entanto, o plano perdeu tração ao longo do caminho e, depois de alcançar quase 3 mil unidades em 2024, a companhia precisou pisar no freio em 2025, reduzindo a produção para pouco mais de 1,2 mil casas.
Desde sua criação, a Alea, inclusive, não registrou lucro e acumula consumo de caixa estimado em cerca de R$ 500 milhões.
No primeiro trimestre de 2026 (1T26), por exemplo, a subsidiária registrou prejuízo líquido de R$ 33 milhões, enquanto, em todo o ano passado, totalizou perdas na ordem dos R$ 130,4 milhões.
A volta por cima
De acordo com o BTG, a administração da Tenda observou que os principais desafios que impediram a Alea de se tornar uma operação lucrativa até agora foram a rápida expansão de suas operações e a instabilidade da mão de obra.
Com isso, segundo o banco, a prioridade número um do grupo é estabilizar a execução nos canteiros e aprofundar a verticalização das atividades, integrando fábrica e construção.
Por estabilização, a Tenda busca maior industrialização e menor dependência de mão de obra intensiva, em um movimento que, pelas contas dos analistas, pode levar a uma redução de cerca de 30% no custo dos produtos vendidos (CPV) em relação a 2025.
Além disso, a internalização da força de trabalho também é vista como uma peça central da reestruturação.
Isso porque, de acordo com a gestão, a dependência de terceirizados dificultava a formação de uma “linha de produção contínua“.
“A Alea segue avaliando a integração vertical de etapas adicionais de construção dentro da própria fábrica, principalmente os serviços de acabamento”, pontuou o BTG.
“A administração pretende industrializar totalmente etapas como aplicação de revestimento texturizado, instalação de forros de gesso acartonado (drywall) e assentamento de cerâmica até o segundo semestre de 2027, o que também deve reduzir a necessidade de mão de obra nos canteiros”, acrescentou.
O banco também destacou que a companhia avalia a expansão para novas regiões, como Campinas, mas deve manter, por ora, o foco nos polos de Tupã e Ribeirão Preto.
A Tenda segue como a principal escolha (top pick) do BTG no segmento de baixa renda. A casa vê o papel negociando a cerca de 5 vezes o lucro estimado (P/L) para 2027 e mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 44, o que implica potencial de valorização de 16% frente à cotação atual.
O que diz a XP
Na mesma linha, analistas da XP Investimentos também visitaram as instalações da Alea e adotaram um tom construtivo em relação à evolução da subsidiária.
O time da corretora avaliou que a companhia avança na consolidação do modelo operacional, sustentado por ganhos de eficiência e redução de custos, o que reforça a perspectiva de melhora dos resultados no curto prazo e de geração de valor no horizonte mais longo.
“Reconhecemos as melhorias já entregues e seguimos monitorando a replicação do modelo de Ribeirão Preto para Tupã e, potencialmente, para Campinas num futuro próximo”, afirmou a casa.
Segundo a XP, a administração do grupo reforçou metas financeiras para os próximos anos, incluindo o breakeven de caixa, convergência do ROIC ao nível da operação principal da Tenda e margem bruta próxima de 20% no fim de 2027.
“Atingir o ritmo de crescimento previamente anunciado e a capacidade total da fábrica de 10 mil unidades por ano parece depender da capacidade da companhia de superar desafios logísticos e de gerar bancos de terrenos amplos que viabilizem canteiros de grande porte capazes de manter a produtividade elevada”, avaliou a XP.
“No geral, reiteramos nossa postura construtiva sobre a tese operacional da Tenda, uma vez que acreditamos que a Alea deixa de ser um entrave para os resultados de curto prazo e pode, inclusive, se tornar uma geradora de valor no médio prazo”, prosseguiu.