TikTok quer virar fintech no Brasil (e vai encontrar terreno fértil)
Depois de virar shopping, a rede social TikTok quer virar fintech. Segundo a Reuters, a companhia busca aprovação do Banco Central (BC) para operar como fintech de pagamentos e crédito.
A primeira permitiria que a empresa operasse como emissora de moeda eletrônica, possibilitando contas pré-pagas, transferências ponto a ponto e pagamentos dentro do aplicativo.
Já a segunda licença classificaria o TikTok como uma empresa de crédito direto, permitindo que ela emprestasse seu próprio capital ou intermediasse empréstimos sem captar depósitos.
Em comentário, o BTG diz que a companhia já faz isso na China, com o Douyin Pay, lançado em 2021. Esse modelo possibilitou a integração perfeita entre conteúdo, pagamentos e comércio, impulsionando maior conversão e monetização.
“Embora tentativas internacionais anteriores — como na Indonésia — tenham enfrentado obstáculos regulatórios, o Brasil apresenta um ambiente mais favorável, dada a maturidade da sua regulamentação de fintechs”, destaca.
Mercado fértil
Segundo os analistas, o Brasil representa um mercado extremamente atraente para a expansão do TikTok, combinando grande escala, forte engajamento e prontidão para fintechs.
A plataforma alcançou aproximadamente 131 milhões de usuários adultos no país no final de 2025, com cobertura publicitária próxima a 80% da população adulta.
“Essa penetração proporciona uma poderosa vantagem de distribuição para o lançamento de serviços financeiros em larga escala”.
Ainda segundo os analistas, os planos de investimento mais amplos do TikTok, incluindo um compromisso significativo com data centers, indicam ainda uma estratégia de longo prazo para consolidar sua presença em um de seus maiores mercados globais.
Ecossistema
Com isso, a plataforma pode aumentar ainda mais seu ecossistema, já formado pelo TikTok Shop, lançado no Brasil no ano passado, que gera aproximadamente US$ 2 milhões em GMV diário, evidenciando uma forte tração inicial.
“Embora a plataforma ainda esteja em seus estágios iniciais, a integração de pagamentos, carteiras digitais e crédito poderia reduzir os atritos na jornada de compra, melhorar as taxas de conversão e aumentar a retenção de usuários”.
Ainda segundo os analistas, replicar um ecossistema de circuito fechado — semelhante ao que foi alcançado na China — poderia aprimorar significativamente a monetização ao longo do tempo.