STF

Toffoli voou em avião de empresa de Vorcaro para ir ao resort Tayayá, diz jornal

02 abr 2026, 13:28 - atualizado em 02 abr 2026, 13:28
Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli, do STF, que voou em aeronave de empresa de Vorcaro (Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli voou num avião da Prime Aviation, que tinha como sócio Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 4 de julho de 2025. É o que indicam documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), em reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Procurados pelo jornal, o ministro e a defesa do banqueiro não se pronunciaram.

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De acordo com o jornal, o ministro entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h naquele dia, conforme consta em registros da Anac. Às 10h10, segundo dados do Decea, um avião da Prime Aviation, com prefixo PR-SAD, decolou para Marília (SP), cidade natal de Toffoli.

Na mesmo dia, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), onde está localizado o resort Tayayá. De acordo com a Corte, o deslocamento ocorreu a pedido do STF para atender a uma autoridade. A cidade onde está o Tayayá fica a 150 quilômetros de Marília.

Conforme a reportagem, documentos da Anac mostram dez registros de entrada de Toffoli em 2025 no terminal executivo do aeroporto da capital federal, destinado a aviões particulares.

O cruzamento com os dados do Decea permite identificar o avião que teria sido utilizado pelo ministro em seis ocasiões, uma vez que não há outras decolagens e pousos em horários próximos. Em cinco desses casos, o avião pertencia a empresários.

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A Prime informou que “por questões de confidencialidade dos contratos, e em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados, não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo”.

Como revelou o Estadão, o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos – investigada pela Polícia Federal no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.

Em janeiro, quando o Estadão revelou que Zettel era o cotista do fundo Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro.

Toffoli era relator do caso Master no STF. Um dia após vir à tona a existência de um relatório da Polícia Federal com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.

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Moraes viajou em aeronaves de Vorcaro

Além de Toffoli, o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, pegaram voos em aeronaves particulares da empresa ligada ao dono do Master.

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão. Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos entre maio e outubro de 2025. Sete deles foram da empresa Prime Aviation, na qual Vorcaro tinha uma participação societário, e um outro foi em uma aeronave do cunhado dele, Fabiano Zettel.

O gabinete de Moraes classificou a informação como ilação e afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. O escritório de Viviane afirmou em nota que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre eles, já foi contratada a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. Disse ainda que nem Vorcaro nem seu cunhado estiveram presentes nos voos.

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