Trump liga repetidamente para Warsh, segundo jornal; relação levanta dúvidas sobre independência do Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem conversado repetidamente por telefone com o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, segundo pessoas familiarizadas com as conversas ouvidas pelo Wall Street Journal. Os contatos ocorreram várias vezes em alguns períodos, seguidos por intervalos maiores sem conversas.
Segundo o jornal, Trump buscou a avaliação de Warsh sobre temas como os impactos da guerra no Irã e o rápido avanço da inteligência artificial sobre a economia. Não está claro se os dois discutiram diretamente a política monetária. Uma pessoa ouvida pelo Wall Street Journal afirmou que Trump não abordou as decisões sobre juros desde a confirmação de Warsh pelo Senado.
A proximidade chama atenção porque presidentes do Fed tradicionalmente mantêm uma relação mais formal com a Casa Branca, justamente para preservar a percepção de independência do banco central. Trump, por sua vez, já criticou duramente o antecessor de Warsh, Jerome Powell, por não reduzir os juros no ritmo desejado e chegou a ameaçar demiti-lo.
Warsh recebeu tratamento diferente. Na cerimônia de posse, Trump afirmou que queria que o novo presidente do Fed fosse “totalmente independente” e tomasse suas próprias decisões. Ao mesmo tempo, o presidente passou a enxergar Warsh como um assessor econômico valioso, segundo o Wall Street Journal.
O relacionamento, porém, pode gerar questionamentos sobre a independência do Fed, especialmente caso as decisões de Warsh entrem em conflito com os interesses da Casa Branca. Democratas do Comitê Bancário do Senado já pressionaram o presidente do banco central por mais transparência sobre seus contatos com Trump.
A preocupação também tem precedente histórico. O relacionamento entre o presidente Richard Nixon e o então presidente do Fed, Arthur Burns, na década de 1970, ficou marcado pela pressão da Casa Branca por uma política monetária mais frouxa antes da eleição de 1972. Nixon foi reeleito, mas os Estados Unidos posteriormente enfrentaram uma forte aceleração da inflação.
Na semana passada, o Fed manteve os juros inalterados. Warsh afirmou que novas altas podem fazer parte da resposta caso a inflação continue elevada, mas também destacou a importância de convencer o público de que o banco central está comprometido com a meta de inflação de 2%.