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Tupy (TUPY3) fez a ‘limpa’? Ação dispara 23% desde mínimas; veja do que mercado gostou

15 jun 2026, 15:34 - atualizado em 15 jun 2026, 18:57
Tupy (TUPY3)
(Imagem: Divulgação/ Tupy)

Bastaram algumas sessões para que a Tupy (TUPY3), que passa por um inferno astral que vai de problemas na governança a resultados fracos, disparasse mais de 14%. Se compararmos com a mínima do ano, a ação já acumula alta superior a 20%.

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Nas últimas semanas, a companhia recebeu algumas boas notícias, principalmente relacionadas à governança corporativa. E por um fato que, à primeira vista, pode parecer negativo: a renúncia de um conselheiro. Porém, não de um nome qualquer, e sim do ministro da Defesa do governo Lula, José Múcio.

Mais do que isso, a small cap iniciou um “projeto estruturado” para melhorar a governança corporativa, algo que chega em boa hora após vários ruídos que marcaram a empresa sob a gestão Lula. Múcio não foi o primeiro indicado pelo governo. Nomes como Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, e Anielle Franco, que ocupou o cargo de ministra da Igualdade Racial, também passaram pelo conselho.

“É evidente que um ministro da Defesa dificilmente teria disponibilidade de tempo para exercer adequadamente a função de conselheiro de uma empresa. Então, na nossa visão, não era uma posição adequada”, afirma Camilo Marcantonio, da Charles River Capital e um dos gestores que levantaram a bandeira em favor de mudanças na forma de indicação de conselheiros.

Apesar disso, o gestor alerta: é preciso observar dois pontos. O primeiro é quem será escolhido para ocupar a vaga. E, mais importante do que o nome em si, são os critérios de elegibilidade para administradores e conselheiros que serão formalizados pela empresa, seja no estatuto social ou em outros normativos internos.

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“Por isso, é fundamental que esses critérios estejam consolidados nos regulamentos da companhia, para que investidores e empresa não fiquem sujeitos a decisões políticas circunstanciais”, destaca.

Novo CEO também agrada

Na prática, a Tupy é controlada, de forma indireta, pelo governo, já que o BNDESPar possui 30,7% das ações e a Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BBAS3), outros 27%. A cartada final que deixou o mercado furioso, no entanto, envolveu outra cadeira: a de CEO, com a entrada de Rafael Lucchesi, considerado um nome com pouca experiência para comandar a companhia, após a saída de Fernando Rizzo, que liderou a transformação da Tupy nos últimos anos.

Lucchesi durou pouco, contudo. Um ano, para ser exato. Em seu lugar, a companhia convocou Harro Ricardo Schlorke Burmann, que possui mais de 35 anos de experiência em liderança de operações industriais e transformação organizacional. Para o gestor da Charles River, trata-se de um perfil que reúne a experiência e as qualificações necessárias.

“Temos confiança de que ele reúne as credenciais. Agora será o momento de transformar isso em resultados concretos. Para nós, o simples fato de a empresa ter escolhido alguém com qualificação e experiência já representa um avanço relevante. Especialmente em um momento em que a companhia passa por transformações importantes, é fundamental ter a pessoa certa na presidência.”

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Agora é o operacional

Burmann terá a missão de colocar a Tupy de volta nos trilhos. É verdade que a empresa sofreu com tombo na demanda por caminhões pesados nos Estados Unidos, seu principal mercado de exportação, o que afetou não apenas a Tupy, mas diversas empresas do setor. Porém, a companhia também não fez a sua lição de casa.

“A Tupy possui dois projetos estratégicos que consideramos importantes: a otimização de sua estrutura fabril e um amplo programa de ganhos de eficiência. Pelo que a companhia comunica ao mercado, esses projetos estão avançando. Mas também vemos espaço para acelerar sua execução e ampliar seus benefícios. Esse é justamente um dos pontos em que o novo CEO pode fazer diferença.”

Outra boa notícia que entra na equação é que já há sinais concretos de recuperação desde o fim do ano passado, como o aumento significativo dos pedidos de caminhões no país norte-americano.

“Com a combinação de melhora do mercado e execução adequada dos projetos internos, acreditamos que existe potencial para uma retomada importante dos resultados da companhia”, completa o gestor.

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Nas últimas semanas, a companhia também ganhou a confiança dos analistas. O JPMorgan revisou sua recomendação de neutra para compra e fixou preço-alvo de R$ 18,00 para as ações. Para o banco, a empresa avançou na governança corporativa, incluindo a escolha de um novo CEO com perfil bem avaliado pelo mercado e alterações no conselho de administração.

Além disso, o banco identifica sinais de recuperação no mercado de caminhões pesados da América do Norte. Na sua avaliação, as estimativas de lucro por ação para 2027 e 2028 — que superam o consenso do mercado em 7% e 8%, respectivamente — indicam uma melhora das margens operacionais que ainda não estaria refletida no preço das ações

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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