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UBS BB passa a tesoura nas ações da Vale (VALE3) pela segunda vez em um mês; veja preço-alvo

21 out 2026, 12:37
vale-vale3
Logotipo da Vale (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

O UBS BB vê espaço para novas quedas das ações da Vale (VALE3) no curto prazo, em continuidade do ritmo de desvalorização recente com disparada dos preços do frete Brasil-China e pressão do minério de ferro.

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Nesta quarta-feira (21), o banco cortou o preço-alvo dos papéis da mineradora brasileira em R$ 4, de R$ 77 para R$ 73 nos próximos 12 meses. Essa é a segunda revisão em um período de um mês: em 29 de setembro, o UBS passou a tesoura e reduziu o preço-alvo em R$ 8.

O valor, porém, ainda implica em um potencial de valorização de 11,5% sobre o preço de fechamento da última terça-feira (20).

Assim como na revisão anterior, o American Depositary Receipt (ADR), ação negociada na Bolsa de Nova York (Nyse), também teve o preço-alvo reduzido de US$ 15 para US$ 14,50, um potencial salto de 11,4% ante o fechamento de ontem.

A recomendação, mais uma vez, foi mantida como neutra.

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Segundo a equipe de analistas do UBS, embora a ação tenha apresentado um desempenho inferior de 11% desde a última revisão, as condições de mercado e operacionais se deterioraram ainda mais.

“Na verdade, agora vemos riscos relevantes de revisões negativas dos resultados em praticamente todas as frentes: preços do minério de ferro, custos e volumes, sendo a Vale Base Metals (VBM) a principal exceção”, afirmaram os analistas Caio Greiner, Myles Allsop e Arthur Biscuola, em relatório divulgado a clientes.

Na B3, as ações da mineradora operam em queda nesta terça-feira. Por volta de 12h (horário de Brasília), VALE3 caía 1,39%, a R$ 64,53.

No ano, o desempenho acumulado é negativo em 8,17%.

Riscos não precificados

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Para a equipe de analistas do UBS BB, o mercado ainda não precificou “plenamente” os riscos de um ambiente operacional “desafiador” e possíveis revisões negativas das estimativas de resultados da companhia neste e no próximo anos.

“A nossa percepção é de que existe a possibilidade de a Vale não atingir suas metas de produção e custos. Para 2027, ainda há uma ampla gama de resultados possíveis, que dependerão, em última instância, das condições de mercado. No entanto, esperamos que a companhia apresente projeções amplamente estáveis, mantendo como referência um nível de produção mais baixo em 2026”, destacam os analistas.

Na visão deles, a Vale tem feito um “excelente trabalho de proteção” (hedge) de sua exposição a fretes e petróleo, mas os contratos de frete de longo prazo cobrem apenas cerca de 75% de suas necessidades totais, deixando a companhia exposta à volatilidade dos preços à vista no segundo semestre de 2027.

Além disso, a alta dos custos dos combustíveis, a valorização do real e a inflação de forma mais ampla também estão pressionando os custos.

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Com isso, os custos totais (all-in costs) provavelmente ficarão no limite superior da faixa projetada pela companhia, em aproximadamente US$ 62 por tonelada — ou potencialmente acima disso, como detalharemos adiante — em 2026, ante cerca de US$ 65 por tonelada atualmente, nos cálculos do banco.

Isso, na visão dos analistas, limita a visibilidade sobre os números de produção do próximo ano e dependente, em grande medida, das condições de mercado. “Nas condições atuais, porém, não descartaríamos uma queda sequencial da produção — embora esse ainda não seja nosso cenário-base.”

O banco ainda cita a possibilidade de uma nova deterioração da estabilidade operacional no Sistema Norte, projetando uma queda na produção de 5,4 milhões de toneladas, para 89 milhões, no terceiro trimestre na comparação anual.

“Se estivermos corretos, a Vale precisará registrar aumento da produção na comparação anual no 4T26 para atingir o limite inferior de sua projeção para 2026.”

Perto do fundo do poço

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Para os analistas do UBS BB, apesar da forte desvalorização recente, VALE3 ainda “não parece barata”, mas também não chegou ao “fundo do poço”.

Nas contas do banco, tanto nos cenários baseados nos preços à vista quanto naqueles que pressupõem uma normalização dos mercados de minério de ferro e fretes, Vale deve gerar yields de fluxo de caixa livre entre 0% e 5%.

No cenário-base, de geração de yield de 5%, o banco considera o minério de ferro a US$ 95 por tonelada, frete à vista a US$ 30 por tonelada, embarques de minério de ferro de 315 milhões de toneladas e preços do cobre e do níquel nos níveis à vista.

Já no cenário mais conservador, o yield de fluxo de caixa livre projetado é de cerca de 1%, com todas as variáveis nos níveis atuais – tonelada do minério de ferro a US$ 90 e frente à vista pouco acima de US$ 30 – e uma produção menor, de 310 milhões de toneladas.

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“De uma forma ou de outra, ainda parece cedo para afirmar que as ações atingiram o fundo do poço, pelo menos do ponto de vista da avaliação”, destacam os analistas.


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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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