Última de Powell: Fed deve manter juros e deixar cortes suspensos; quando a taxa pode voltar a cair?
O Federal Reserve (Fed) deve caminhar nesta quarta-feira (29) para a sua quinta manutenção de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Pelo menos esta é a expectativa do mercado, que conversa com os direcionamentos que os dirigentes do banco central norte-americano deram na última ata.
Para a economista Andressa Durão, do ASA, o Fed deve manter os juros inalterados e reforçar os riscos inflacionários no horizonte, especialmente diante do prolongamento do conflito no Oriente Médio.
“Os últimos dados mostraram uma inflação de serviços ainda pressionada, enquanto atividade e mercado de trabalho seguem resilientes”, afirma. Nesse contexto, o balanço de riscos segue assimétrico, reduzindo a probabilidade de cortes no curto prazo.
Na mesma linha, o estrategista da Avenue, William Castro, destaca que a manutenção já está amplamente precificada pelo mercado, sem espaço relevante para surpresas nesta reunião.
“A inflação já se mostrava teimosa e resiliente, e o conflito no Oriente Médio apenas exacerba esse quadro”, diz. Segundo ele, o impacto da alta de energia tende a se espalhar para outros preços, tornando o ambiente ainda mais desafiador para uma eventual flexibilização monetária.
Diante desse cenário, a expectativa é de que o Fed adote uma postura de “esperar para ver”, aguardando maior clareza sobre os efeitos dos choques recentes antes de qualquer mudança de rumo. Ainda assim, Castro pondera que as expectativas de inflação seguem relativamente ancoradas, o que afasta, por ora, a necessidade de novas altas de juros.
Além da decisão, o mercado deve acompanhar de perto a coletiva de Jerome Powell, que pode trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária. Esta será a última sob seu mandato, que encerra oficialmente em 15 de maio.
Em meio à incertezas externas e um cenário inflacionário ainda pressionado, investidores buscam sinais, ainda que sutis, sobre quando o ciclo de cortes poderá, de fato, entrar no radar.
Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a possibilidade de corte só aparece na reunião de 27 de outubro de 2027, com 48,5% de chances de corte, contra 47% de manutenção.
Já faz muito tempo…
A última vez que o Fed cortou os juros foi em dezembro de 2025, quando promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa ao menor nível desde setembro de 2022. À época, a decisão foi motivada pela preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho.
O movimento ocorreu após a retomada da divulgação de indicadores econômicos em novembro, que haviam sido interrompidos durante o maior shutdown da história dos Estados Unidos, com duração de 43 dias. Os dados mostraram uma desaceleração na criação de empregos ao longo do ano, acompanhada de leve alta na taxa de desemprego.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou que os indicadores recentes eram compatíveis com esse arrefecimento, ao mesmo tempo em que a inflação permanecia “ligeiramente elevada”, em torno de 3%, ainda acima da meta de 2%. Diante desse cenário, o Fed passou a dar mais peso aos riscos no mercado de trabalho, em linha com seu mandato duplo, que busca equilibrar o máximo emprego com a estabilidade de preços.