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Usiminas (USIM5): Lucro surpreende, mas analistas veem desafios para o restante do ano

30 jul 2026, 11:54
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(Imagem: REUTERS/Alexandre Mota)

As ações da Usiminas (USIM5) figuram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (30), mesmo após a siderúrgica reportar um lucro líquido de R$ 428 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), alta de 236% na comparação anual e acima das expectativas do mercado.

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Na avaliação de analistas, o balanço mostrou uma recuperação consistente da operação de siderurgia, impulsionada por reajustes de preços e um mix de vendas mais favorável. Ainda assim, o mercado segue olhando para o segundo semestre, quando a companhia deve enfrentar custos mais elevados, uma mineração mais fraca e o desafio de continuar elevando os preços do aço para preservar as margens.

O Citi classificou o resultado como neutro. Para Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello, “a revisão para baixo do capex demonstra disciplina financeira da administração”, embora o banco entenda que parte desses investimentos “possa apenas ser adiada para o próximo ano”.

O banco destaca que o Ebtida (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado alcançou R$ 761 milhões, superando em 11% sua estimativa e ficando 15% acima do consenso do mercado. Segundo os analistas, o desempenho da siderurgia foi determinante para o resultado, já que “preços mais elevados e um mix de vendas melhor compensaram o aumento dos custos e a leve redução dos volumes”.

Entre os fatores positivos, o Citi destaca a alta de 4,6% da receita líquida por tonelada vendida de aço na comparação trimestral e o avanço das vendas para o setor automotivo. O segmento passou a representar 38% das vendas domésticas, ante 33% no trimestre anterior, reforçando o foco da companhia em produtos de maior valor agregado.

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Na mineração, porém, o cenário continuou desafiador. Os analistas afirmam que o desempenho da divisão foi fraco e explicam que a disparada dos custos de frete marítimo pressionou significativamente a rentabilidade, mesmo diante do aumento dos volumes vendidos.

Na visão do Citi, o principal tema para a tese de investimento da Usiminas agora está no segundo semestre.

“Nosso principal foco continua sendo se a Usiminas será capaz de implementar novos aumentos de preços do aço durante o segundo semestre de 2026”, afirmam os analistas. Segundo eles, “novos reajustes de preços provavelmente serão necessários para sustentar as margens”.

O banco acrescenta que a investigação antidumping envolvendo bobinas a quente (HRC) “pode se tornar um importante catalisador para o mercado doméstico de aço”. Além disso, afirma que os comentários da administração sobre o projeto compacto da MUSA serão importantes para entender o volume de investimentos necessário e o equilíbrio entre aumento da produção e rentabilidade da mineração.

Itaú vê resultado em linha e perspectiva mais fraca para o 3º trimestre

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O Itaú BBA também avaliou o balanço de forma neutra. Para os analistas, os números vieram em linha com as expectativas, mas a companhia apresentou uma perspectiva mais fraca para o terceiro trimestre.

Segundo o banco, “a divisão de siderurgia foi o destaque” do trimestre, beneficiada principalmente pelos preços mais elevados praticados no mercado doméstico. Ainda assim, os analistas observam que o aumento dos custos com carvão, coque, placas de aço e manutenção limitou parte dessa melhora operacional.

Em relação ao guidance, o Itaú afirma que a própria Usiminas projeta estabilidade para a siderurgia, desconsiderando os efeitos extraordinários registrados no segundo trimestre. No entanto, preços e volumes maiores deverão ser compensados por custos mais elevados.

Na mineração, o cenário é mais desafiador. O banco destaca que a companhia espera menores volumes de vendas de minério de ferro e custos logísticos ainda elevados, fatores que devem pressionar novamente a rentabilidade da divisão. “A perspectiva para o terceiro trimestre é de resultados mais fracos”, resumem os analistas.

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Outro ponto destacado pelo Itaú foi a redução da projeção de investimentos para 2026. A companhia passou a estimar um capex entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, abaixo da faixa anterior, de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão. Para o banco, a revisão reforça uma postura de maior disciplina financeira, embora parte desses desembolsos possa apenas ter sido postergada.

O Itaú BBA manteve recomendação outperform, equivalente à compra, e preço-alvo de R$ 11 para USIM5. Já o Citi reiterou recomendação de compra para as ações. Na avaliação das duas instituições, os próximos reajustes nos preços do aço, o andamento da investigação antidumping e as definições sobre o projeto da MUSA devem ser os principais fatores para a tese de investimento da companhia ao longo dos próximos trimestres.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br

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