Usiminas (USIM5): Resultado surpreende positivamente e ações disparam mais de 6%
As ações da Usiminas (USIM5) sobem forte no início do pregão desta sexta-feira (24), após a companhia, mais cedo, ter aberto a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) com lucro líquido de R$ 896,1 milhões no 1T26, um salto de 596% na comparação com o 4T25 e de 166% em base anual.
O período foi marcado por forte recuperação na siderurgia — que mais do que compensou a fraqueza da mineração .
Na visão de analistas, o resultado veio acima das expectativas justamente por essa dinâmica. Para o Itaú BBA, liderado por Daniel Sasson, “o EBITDA veio acima das estimativas, impulsionado principalmente pela divisão de aço, com melhora relevante de custos e preços realizados, além de um mix mais favorável”.
O Safra, sob cobertura de Ricardo Monegaglia, reforçou a leitura. “o desempenho de aço foi impulsionado por preços mais altos e redução de custos caixa, mais do que compensando a queda de volumes”, traz o relatório do banco.
Já a Eleven, liderada por Fernando Siqueira, resume: “a recuperação da siderurgia mais do que compensou a fraqueza da mineração”.
A receita líquida somou R$ 5,87 bilhões, queda de 5% frente ao trimestre anterior e de 14% na comparação anual .
No entanto, apesar da queda do faturamento, o destaque ficou para o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado, que atingiu R$ 653,1 milhões, alta de 56% no trimestre, com margem de 11,1%.
Siderurgia da Usiminas é destaque
A melhora operacional da Usiminas foi concentrada na siderurgia. O segmento entregou Ebitda ajustado de R$ 544 milhões, avanço de 140% frente ao 4T25, sustentado por alta de 4,9% na receita por tonelada — refletindo não apenas melhores preços, mas também um mix mais favorável de vendas, com maior participação de segmentos de maior valor agregado — e queda de 1,8% no custo por tonelada, beneficiada pela valorização do real e ganhos de eficiência .
Na leitura dos analistas, esse ponto foi central para o trimestre. O Itaú BBA destaca que “o resultado foi impulsionado por preços mais altos, um mix de vendas mais favorável e menores custos”. Já a Eleven chama atenção para a composição das vendas, com destaque para o aumento da participação do setor automotivo.
Além do efeito operacional, o trimestre já começa a refletir uma mudança estrutural no setor. As medidas antidumping adotadas no Brasil alteraram a dinâmica competitiva, reduzindo a pressão de importados e abrindo espaço para recuperação gradual de preços e volumes no mercado doméstico, segundo a própria companhia.
Aprovadas em fevereiro, as medidas elevaram o custo do aço importado, especialmente da China, reduzindo a pressão de preços no mercado doméstico. Com isso, o setor espera um reequilíbrio gradual, abrindo espaço para recuperação de preços, volumes e margens das siderúrgicas locais.
As vendas de aço ficaram em 1,007 milhão de toneladas, queda de 7% no trimestre, com forte redução nas exportações .
Mineração segue pressionada
Do outro lado, a mineração seguiu pressionando o consolidado. O segmento registrou Ebitda ajustado de R$ 111 milhões, impactado por queda de volumes, custos mais elevados e menor diluição de despesas fixas .
As vendas de minério somaram 1,946 milhão de toneladas, recuo de 21% frente ao 4T25, refletindo sazonalidade mais fraca, chuvas intensas e ajustes operacionais que priorizaram áreas mais produtivas .
Segundo o Itaú BBA, “os resultados de mineração foram mais fracos, pressionados por menores embarques, custos mais altos e efeitos cambiais”, enquanto o Safra também aponta deterioração de margens com menor diluição de custos.
Resultado
O resultado financeiro foi outro destaque positivo, com ganho de R$ 110 milhões, revertendo perdas do trimestre anterior, impulsionado principalmente por efeitos cambiais .
No caixa, a companhia reportou fluxo de caixa livre positivo de R$ 84 milhões, mesmo com CAPEX de R$ 285 milhões no período . A Usiminas encerrou março com caixa líquido de R$ 391 milhões e alavancagem de -0,20x, reforçando a solidez do balanço .
Para o segundo trimestre, a companhia projeta Ebitda estável, com preços mais altos no aço compensando pressões de custos, enquanto a mineração deve ter maiores volumes, mas também custos mais elevados .
O Itaú BBA avalia que, apesar do cenário de custos no curto prazo, “o ponto de partida mais forte do 1T26 deve levar a revisões positivas ao longo do ano, com potencial de melhora mais relevante a partir do 3T26”.
O Itaú BBA mantém recomendação de outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 9,00. Já o Safra tem visão mais cautelosa, com underperform e preço-alvo de R$ 7,70, enquanto a Eleven mantém recomendação neutra, citando valuation menos atrativo.