Vacância em queda e preços firmes devem sustentar mercado de lajes em 2026, diz BTG
O BTG Pactual mantém perspectiva positiva para o segmento de lajes corporativas em 2026, ainda que em um contexto de maior seletividade por parte dos ocupantes.
Em relatório, o banco destacou que a combinação de vacância em queda, absorção líquida consistente e preços resilientes sugere a continuidade de um ambiente ainda favorável aos proprietários, especialmente nas regiões com maior liquidez e menor disponibilidade de oferta.
“Na nossa visão, os fundamentos do mercado indicam a sustentação do ciclo positivo de recuperação observado em 2025”, escreveram os analistas Daniel Marinelli e Matheus Oliveira, responsáveis pelo documento.
2025: um ano de recuperação
Segundo o BTG, o segmento de lajes corporativas de alto padrão em São Paulo apresentou desempenho “robusto” no quarto trimestre (4T25), com aceleração relevante da absorção líquida (isto é, a diferença entre a área locada e a devolvida), que alcançou 74,1 mil metros quadrados (m²), frente a 26,9 mil no 3T25.
No acumulado de 2025, o volume somou 238 mil m², acima dos 210 mil registrados em 2024, dos 122 mil em 2023 e dos 105 mil em 2022, evidenciando a recuperação do setor no pós-pandemia.
Para efeito de comparação, em 2019, antes da crise provocada pela covid-19, a absorção líquida anual foi de 226 mil m², volume inferior ao observado atualmente.

O relatório também apontou que a taxa de vacância do setor recuou para 12,1% no 4T25, frente a 13,6% no trimestre anterior, aproximando-se dos cerca de 10% registrados no período pré-pandemia.
Para o banco, o movimento reforça a leitura de um mercado aquecido, com demanda elevada e capacidade de absorção do novo estoque.
Lajes corporativas por regiões
Entre outubro e dezembro, a absorção líquida permaneceu distribuída entre todas as regiões analisadas, com destaque para Pinheiros, especialmente no eixo Rebouças, Faria Lima, Chucri Zaidan e Paulista.
De acordo com o BTG, os preços pedidos seguiram em alta no trimestre, embora sem sinais de correção, inclusive em áreas que anteriormente apresentavam maior vacância.
Na Faria Lima, por exemplo, considerado um dos eixos mais caros do país, os valores se aproximaram ainda mais de R$ 300 por m² em novas negociações.
“A combinação entre oferta mais restrita e demanda consistente tem levado proprietários a adotar postura mais firme nas revisionais, com menor disposição para descontos relevantes, o que reforça a manutenção do cenário atual de elevação dos preços”, escreveram os analistas.

Nesse contexto, o banco observou diversas movimentações envolvendo ocupações e negociações em ativos localizados fora das regiões mais prime.
Segundo o BTG, o movimento reflete um padrão de flight to price, com empresas migrando para áreas adjacentes em busca de maior eficiência de custos, mas sem abrir mão do padrão construtivo.