Comprar ou vender?

Vale (VALE3): BTG vê tese defensiva, mas catalisadores escassos; hora de comprar?

12 ago 2026, 13:00
vale vale3 day trade
(Imagem: Reuters)

O BTG Pactual revisou a Vale (VALE3), tendo em vista uma tese defensiva bem administrada, mas que carece de catalisadores no momento. O banco mantém a recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 90.

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A equipe de analistas liderada por Leonardo Correa pondera que o interesse no papel permanece relativamente baixo entre os investidores locais, com uma demanda um pouco maior vinda de estrangeiros. Na visão do banco, a Vale segue sendo uma opção barata para o investidor de fora, principalmente à luz do gap de valuation em relação aos pares australianos, de aproximadamente 4 pontos percentuais no yield (rendimento) e um desconto de múltiplo de 20-40%.

Apesar disso, o banco tem dificuldade em encontrar os catalisadores de curto prazo necessários para uma expansão de múltiplos rápida.

Os analistas ponderam ainda que o momentum de resultados está desacelerando, com os preços do minério de ferro rondando um patamar levemente abaixo das estimativas, de US$ 95 por tonelada no spot ante US$ 100/t projetado, e as pressões de custo caixa C1 levando a algumas revisões modestas para baixo.

Em metais básicos, a capacidade de execução segue sólida, com o cobre trazendo potencial de alta, embora os analistas reconheçam que investidores ainda não enxergm a Vale como uma tese de cobre e essas melhorias tenham sido majoritariamente compensadas pela fraqueza do minério de ferro.

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“A Vale segue sendo uma companhia bem administrada e uma tese relativamente barata e segura para alocar caixa, mas está passando por um período com menos catalisadores, em nossa visão. Por ora, o cenário se assemelha mais a um perfil defensivo e lateralizado, com retornos de caixa na faixa de 8%”, diz o BTG.

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Perspectivas para a Vale

O BTG revisou o modelo de valuation para refletir uma série de pequenas mudanças, incluindo os resultados do segundo trimestre do ano, ajustes modestos na projeção de câmbio (agora mais próxima do spot), pressões de custo, e lucros ligeiramente maiores em metais básicos adiante.

Os analistas pontuam que as ações da mineradora corrigiram cerca de 20% em relação às máximas de abril, criando um ponto de entrada mais atrativo.

“Seguimos construtivos com os fundamentos do minério de ferro, suportados por altas taxas de depleção das minas, importações chinesas resilientes, demanda crescente por aço na Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio, e uma expansão gradual do Simandou que deve, em grande parte, compensar a depleção em vez de adicionar oferta líquida relevante”, diz o banco.

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Pressões de custo de curto prazo vindas de diesel, câmbio e manutenção devem pesar sobre os resultados de curto prazo, mas o BTG enxerga como majoritariamente externas e não reflexo de qualquer deterioração na execução da Vale. A administração continua a entregar desempenho operacional mais forte, sólida alocação de capital e maior consistência.

“Na unidade de metais básicos, a reestruturação e o pipeline de crescimento seguem subestimados. A Vale espera aproximadamente dobrar a capacidade de cobre para cerca de 500 mil toneladas até 2030, com potencial de alcançar ~700 mil toneladas até 2035, o que a colocaria entre as maiores produtoras de cobre do mundo, um cenário que não está precificado, nem de longe”, dizem os analistas.

2T26 da Vale

A Vale registrou lucro líquido de R$ 6,847 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 43,3% em relação aos R$ 12,081 bilhões apurados no mesmo período do ano passado.

O resultado veio acompanhado de um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado de R$ 18,516 bilhões, retração de 3,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida avançou 6,4%, para R$ 53,012 bilhões, refletindo o melhor desempenho da divisão de metais básicos.

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Apesar do crescimento da receita, a rentabilidade foi pressionada. O Ebitda ajustado caiu para R$ 18,5 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões um ano antes, enquanto o lucro operacional recuou para R$ 10,836 bilhões, de R$ 11,349 bilhões. O desempenho foi impactado pelo enfraquecimento do negócio de minério de ferro, parcialmente compensado pela melhora nas operações de cobre e níquel.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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