Vale (VALE3) tem lucro 43% menor no 2T26 e revisa guidance de custos do minério
A Vale (VALE3) registrou lucro líquido de R$ 6,847 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 43,3% em relação aos R$ 12,081 bilhões apurados no mesmo período do ano passado.
O resultado veio acompanhado de um Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de R$ 18,516 bilhões, retração de 3,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida avançou 6,4%, para R$ 53,012 bilhões, refletindo o melhor desempenho da divisão de metais básicos.
Apesar do crescimento da receita, a rentabilidade foi pressionada. O EBITDA ajustado caiu para R$ 18,5 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões um ano antes, enquanto o lucro operacional recuou para R$ 10,836 bilhões, de R$ 11,349 bilhões. O desempenho foi impactado pelo enfraquecimento do negócio de minério de ferro, parcialmente compensado pela melhora nas operações de cobre e níquel.
Por segmento, o Ebitda de Soluções de Minério de Ferro caiu de R$ 16,847 bilhões para R$ 15,4 bilhões, enquanto a divisão de Vale Metais Básicos avançou de R$ 4,04 bilhões para R$ 6,5 bilhões. O destaque ficou para o cobre, cujo Ebitda passou de R$ 3,046 bilhões para R$ 5,177 bilhões, enquanto o níquel também apresentou melhora, de R$ 1,109 bilhão para R$ 1,481 bilhão.
A receita líquida de R$ 53,01 bilhões superou os R$ 49,8 bilhões registrados no 2T25. O crescimento ocorreu apesar da queda da contribuição do minério de ferro em algumas linhas operacionais e foi sustentado pelo avanço das vendas de metais básicos. A China permaneceu como principal mercado da companhia, respondendo por R$ 26,697 bilhões da receita do trimestre.
Do lado dos custos, a companhia registrou custo dos produtos vendidos e serviços prestados de R$ 36,8 bilhões, alta frente aos R$ 34,4 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O aumento refletiu principalmente maiores gastos com serviços, fretes, pessoal e royalties.
Junto com o balanço, a Vale anunciou uma revisão em seu guidance para 2026. A companhia elevou a projeção do custo caixa C1 do minério de ferro para US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 20,0 a US$ 21,5.
A mineradora também revisou para cima o custo all-in do minério de ferro, que passou de US$ 52-56 para US$ 58-62 por tonelada. Segundo a empresa, as estimativas consideram câmbio médio de R$ 5,13 por dólar e Brent de US$ 86 por barril.
Por outro lado, a mineradora melhorou as perspectivas para metais básicos. A estimativa de produção de cobre passou de 350 mil-380 mil toneladas para 360 mil-380 mil toneladas, enquanto a de níquel subiu de 175 mil-200 mil toneladas para 185 mil-200 mil toneladas.
A companhia também reduziu as projeções de custo all-in dessas operações, passando a estimar US$ 0 a US$ 500 por tonelada para o cobre e US$ 10 mil a US$ 11,5 mil por tonelada para o níquel, abaixo das faixas anteriores. Todas as demais projeções foram mantidas.