Vale (VALE3) ganha quase R$ 13 bilhões em valor de mercado em um único dia
As ações da Vale (VALE3), um dos pesos-pesados do Ibovespa (IBOV), acumulam alta de 4,4% nos últimos dois pregões em reação à prévia operacional do segundo trimestre (2T26) e à eleição do novo presidente do conselho de administração (CA).
VALE3 encerrou o pregão da quarta-feira (22) com alta de 3,96%, a R$ 75,10 – o que levou ao ganho de R$ 12,695 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão. A mineradora encerrou o dia valendo R$ 333,380 bilhões.
Nesta quinta-feira (23), o tom positivo continua com os investidores reagindo à destituição de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro da companhia, em decisão do CA por vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado em 19 de junho. A medida foi anunciada na noite de ontem pela mineradora.
Por volta de 14h20 (horário de Brasília), VALE3 registrava alta de 1,33%, a R$ 76,10. Pela manhã, as ações iniciaram o pregão em baixa de 0,79% (R$ 74,51) em primeira reação à saída de Gasparino.
De acordo com a empresa, Marcelo Gasparino da Silva também foi afastado de dois comitês de assessoramento de que fazia parte (Comitê de Indicação e Governança e Comitê de Pessoas e Remuneração).
Por se tratar de membro do conselho, a sanção de destituição do cargo, prevista na Política de Gestão de Desvios de Conduta da Vale, depende de deliberação pelos acionistas reunidos em Assembleia Geral, informou a mineradora em fato relevante assinado por Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores.
A saída do executivo é vista de forma positiva por parte do mercado, por reforçar a percepção de que os mecanismos de governança da companhia estão funcionando, avalia Cristiano Leal, especialista em investimentos. “Mais do que o episódio em si, a resposta institucional da Vale tende a reduzir o prêmio de risco de governança embutido nas ações”, afirmou Leal.
A decisão pela saída de Gasparino ocorreu poucas horas depois de ele ter perdido a disputa pela presidência do próprio conselho, quando obteve cerca de 1 bilhão de votos de aprovação pelos acionistas, mas foi batido por Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, que foi eleito com quase 2 bilhões de votos favoráveis.
Na avaliação de Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, a eleição de Ollie mantém o perfil independente na lideranço do conselho da Vale e reduz as preocupações com possíveis interferências na governança da companhia.
“O resultado [da eleição] ainda reforça que, embora a Previ continue sendo um acionista relevante, sua influência sobre a composição do conselho tem encontrado obstáculos à frente”, disse Passos.
A Ajax Asset reiterou a visão construtiva para VALE3 destacando que a gestão da mineradora mantém a estratégia de simplificação de portfólio com foco nos principais negócios e oportunidades de crescimento, em linha com a melhor alocação de capital.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricius, a eleição de Ollie acontece em um momento em que a Vale tenta reconquistar a confiança dos investidores por meio de melhorias operacionais consistentes. “Ele tem potencial para melhorar a transparência e a governança da empresa”, afirmou ele em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube.
Prévia operacional
O relatório de produção da companhia confirmou a esperada recuperação operacional no segundo trimestre de 2026 (2T26). O documento foi divulgado na noite da última terça-feira (21) após o fechamento dos mercados.
A mineradora registrou avanço na produção e nas vendas de seus principais segmentos de negócios, com destaque para o minério de ferro, que alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Os resultados foram bem recebidos por analistas, que destacaram a consistência operacional da companhia e um desempenho acima das expectativas em metais básicos, especialmente cobre.
BTG Pactual, XP Investimentos, Safra e Citi consideraram que a Vale entregou um trimestre sólido, com produção de minério de ferro em linha com o esperado, preços realizados favoráveis e, principalmente, um desempenho robusto em cobre e níquel.
Apesar da reação positiva, as casas de análise ainda enxergam alguns pontos de atenção. A XP pondera que a pressão de custos e o atual nível de valuation ainda limitam uma visão mais otimista para as ações, apesar da melhora dos fundamentos da divisão de metais básicos.
O BTG também avalia que a próxima etapa para o mercado será acompanhar a evolução dos custos de produção, influenciados por fatores como câmbio, diesel e despesas de manutenção. Para o banco, a execução operacional segue forte, mas a reação das ações após o balanço dependerá da capacidade da companhia de preservar margens.
Já Safra e Citi chamaram atenção para o fato de que a Vale manteve inalterado seu guidance para 2026, indicando confiança no planejamento operacional, mas sem fornecer novos catalisadores de curto prazo além da expectativa pelo balanço do segundo trimestre.
Nas recomendações, BTG Pactual e Citi mantiveram indicação de compra para as ações da Vale, enquanto XP e Safra seguiram com recomendação neutra. Apesar da boa execução operacional, as duas últimas casas avaliam que custos, valuation e as perspectivas para o minério de ferro ainda justificam cautela.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times