Empresas

Vale (VALE3): Produção deve reagir no 2T26, mas custos devem ser “pedra no sapato”

21 jul 2026, 7:00 - atualizado em 21 jul 2026, 8:24
VALE REUTERS morning mercados ibovespa wall street
Logotipo da Vale (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

A Vale (VALE3) deve apresentar uma forte recuperação na produção de minério de ferro no segundo trimestre de 2026, beneficiada pela melhora sazonal das condições climáticas e pelo avanço de projetos de expansão. O movimento, porém, deve vir acompanhado de custos mais elevados, apontam Santander e Genial Investimentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A mineradora divulga seu relatório de produção e vendas nesta terça-feira (21), após o fechamento do mercado. Os resultados financeiros do segundo trimestre estão previstos para 30 de julho.

O Santander estima uma produção de 86 milhões de toneladas de finos de minério de ferro, alta de 23% em relação ao primeiro trimestre e de 3% na comparação anual. As vendas, excluindo minério bruto, devem alcançar 70,2 milhões de toneladas, avanço de 18% no trimestre e de 4% em um ano.

“Acreditamos que a Vale apresentará um segundo trimestre sólido, com produção de minério de ferro ligeiramente maior na comparação anual, apesar do impacto contínuo das paralisações de Fábrica e Viga”, afirmam os analistas Yuri Pereira e Laura Zioli, do Santander.

Segundo o banco, o desempenho deve ser favorecido pelas etapas finais de ramp-up de Capanema e Vargem Grande. As operações de Fábrica e Viga, entretanto, permanecem suspensas e devem limitar parte do crescimento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Genial também projeta uma recuperação expressiva, com produção de minério de ferro de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% ante o primeiro trimestre e de 2,1% sobre o mesmo período de 2025.

“Antevemos um trimestre de recomposição sazonal de volumes, acompanhado de um ápice — a nosso ver transitório — na estrutura de custo”, afirma Luca Vello, analista da Genial Investimentos.

Para o analista, a normalização das chuvas deve liberar frentes de lavra, enquanto os ramp-ups de Capanema, Vargem Grande e Brucutu podem acrescentar aproximadamente 4 milhões de toneladas por trimestre. A contribuição será parcialmente anulada pela suspensão de Fábrica e Viga, que deve retirar cerca de 2 milhões de toneladas.

“Esperamos que a produção de minério de ferro se reponha de forma robusta, rompendo com o padrão debilitado do primeiro trimestre e evidenciando a higidez operacional subjacente da tese ferrosa”, diz Vello.

Custos devem atingir pico

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora os volumes devam melhorar, a principal preocupação do mercado estará nos custos. O Santander prevê que o custo caixa C1 suba de US$ 24 por tonelada no primeiro trimestre para cerca de US$ 25 por tonelada, pressionado pelo câmbio, pela alta do petróleo e do diesel e pelos custos de frete.

A Genial trabalha com um C1, excluindo compras de terceiros, de US$ 25,20 por tonelada, aumento de 6,9% na comparação trimestral e de 13,5% em um ano. O frete unitário deve avançar 24%, para US$ 22,30 por tonelada.

“Interpretamos o trimestre como o ápice do ciclo de custo, de natureza exógena e cíclica, não estrutural”, afirma Vello. Segundo ele, a pressão decorre principalmente da valorização do real, do reajuste do diesel, do carregamento de custos de compras de minério e da desconsolidação da Aliança Energia.

A avaliação da Genial é que a pressão deve perder força nos próximos trimestres, diante da perspectiva de normalização do diesel e do combustível marítimo e de uma eventual desvalorização do real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Não é nossa leitura — tampouco a da companhia, que sinaliza que ‘o pior já passou’”, diz o analista sobre a possibilidade de os custos permanecerem nesse patamar.

Cobre e níquel

Nos metais básicos, as projeções das duas casas apresentam diferenças. O Santander espera produção de cobre de 94,1 mil toneladas, queda de 8% no trimestre e alta de 2% em um ano. Para o níquel, a estimativa é de 48 mil toneladas, praticamente estável na comparação trimestral e 19% acima do segundo trimestre de 2025.

A Genial projeta 97,7 mil toneladas de cobre e 42,8 mil toneladas de níquel. No caso do cobre, o recuo trimestral ocorreria sobre uma base forte, enquanto o níquel seria afetado por manutenções programadas.

O que pode mexer com as ações

Além do volume produzido, os investidores devem acompanhar as vendas, o prêmio de qualidade do minério e a confirmação do guidance anual de 335 milhões a 345 milhões de toneladas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Santander projeta Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 3,85 bilhões no segundo trimestre, praticamente estável ante os três primeiros meses do ano e 12% superior ao registrado um ano antes.

A Genial estima Ebitda pro forma de US$ 3,8 bilhões, ligeiramente acima do consenso, e mantém recomendação de manter, com preço-alvo de R$ 86. A corretora, contudo, diz ter um viés construtivo para a ação.

“Nossa inclinação é elevar a recomendação caso o relatório de produção e vendas e o resultado do segundo trimestre confirmem a recomposição de volumes, a resiliência dos prêmios e o caráter transitório do pico de custo”, afirma Vello.

Já o Santander mantém recomendação de outperform, equivalente a desempenho acima da média do mercado, e preço-alvo de R$ 85,25 para o fim de 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar