Vale (VALE3): Produção deve reagir no 2T26, mas custos devem ser “pedra no sapato”
A Vale (VALE3) deve apresentar uma forte recuperação na produção de minério de ferro no segundo trimestre de 2026, beneficiada pela melhora sazonal das condições climáticas e pelo avanço de projetos de expansão. O movimento, porém, deve vir acompanhado de custos mais elevados, apontam Santander e Genial Investimentos.
A mineradora divulga seu relatório de produção e vendas nesta terça-feira (21), após o fechamento do mercado. Os resultados financeiros do segundo trimestre estão previstos para 30 de julho.
O Santander estima uma produção de 86 milhões de toneladas de finos de minério de ferro, alta de 23% em relação ao primeiro trimestre e de 3% na comparação anual. As vendas, excluindo minério bruto, devem alcançar 70,2 milhões de toneladas, avanço de 18% no trimestre e de 4% em um ano.
“Acreditamos que a Vale apresentará um segundo trimestre sólido, com produção de minério de ferro ligeiramente maior na comparação anual, apesar do impacto contínuo das paralisações de Fábrica e Viga”, afirmam os analistas Yuri Pereira e Laura Zioli, do Santander.
Segundo o banco, o desempenho deve ser favorecido pelas etapas finais de ramp-up de Capanema e Vargem Grande. As operações de Fábrica e Viga, entretanto, permanecem suspensas e devem limitar parte do crescimento.
A Genial também projeta uma recuperação expressiva, com produção de minério de ferro de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% ante o primeiro trimestre e de 2,1% sobre o mesmo período de 2025.
“Antevemos um trimestre de recomposição sazonal de volumes, acompanhado de um ápice — a nosso ver transitório — na estrutura de custo”, afirma Luca Vello, analista da Genial Investimentos.
Para o analista, a normalização das chuvas deve liberar frentes de lavra, enquanto os ramp-ups de Capanema, Vargem Grande e Brucutu podem acrescentar aproximadamente 4 milhões de toneladas por trimestre. A contribuição será parcialmente anulada pela suspensão de Fábrica e Viga, que deve retirar cerca de 2 milhões de toneladas.
“Esperamos que a produção de minério de ferro se reponha de forma robusta, rompendo com o padrão debilitado do primeiro trimestre e evidenciando a higidez operacional subjacente da tese ferrosa”, diz Vello.
Custos devem atingir pico
Embora os volumes devam melhorar, a principal preocupação do mercado estará nos custos. O Santander prevê que o custo caixa C1 suba de US$ 24 por tonelada no primeiro trimestre para cerca de US$ 25 por tonelada, pressionado pelo câmbio, pela alta do petróleo e do diesel e pelos custos de frete.
A Genial trabalha com um C1, excluindo compras de terceiros, de US$ 25,20 por tonelada, aumento de 6,9% na comparação trimestral e de 13,5% em um ano. O frete unitário deve avançar 24%, para US$ 22,30 por tonelada.
“Interpretamos o trimestre como o ápice do ciclo de custo, de natureza exógena e cíclica, não estrutural”, afirma Vello. Segundo ele, a pressão decorre principalmente da valorização do real, do reajuste do diesel, do carregamento de custos de compras de minério e da desconsolidação da Aliança Energia.
A avaliação da Genial é que a pressão deve perder força nos próximos trimestres, diante da perspectiva de normalização do diesel e do combustível marítimo e de uma eventual desvalorização do real.
“Não é nossa leitura — tampouco a da companhia, que sinaliza que ‘o pior já passou’”, diz o analista sobre a possibilidade de os custos permanecerem nesse patamar.
Cobre e níquel
Nos metais básicos, as projeções das duas casas apresentam diferenças. O Santander espera produção de cobre de 94,1 mil toneladas, queda de 8% no trimestre e alta de 2% em um ano. Para o níquel, a estimativa é de 48 mil toneladas, praticamente estável na comparação trimestral e 19% acima do segundo trimestre de 2025.
A Genial projeta 97,7 mil toneladas de cobre e 42,8 mil toneladas de níquel. No caso do cobre, o recuo trimestral ocorreria sobre uma base forte, enquanto o níquel seria afetado por manutenções programadas.
O que pode mexer com as ações
Além do volume produzido, os investidores devem acompanhar as vendas, o prêmio de qualidade do minério e a confirmação do guidance anual de 335 milhões a 345 milhões de toneladas.
O Santander projeta Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 3,85 bilhões no segundo trimestre, praticamente estável ante os três primeiros meses do ano e 12% superior ao registrado um ano antes.
A Genial estima Ebitda pro forma de US$ 3,8 bilhões, ligeiramente acima do consenso, e mantém recomendação de manter, com preço-alvo de R$ 86. A corretora, contudo, diz ter um viés construtivo para a ação.
“Nossa inclinação é elevar a recomendação caso o relatório de produção e vendas e o resultado do segundo trimestre confirmem a recomposição de volumes, a resiliência dos prêmios e o caráter transitório do pico de custo”, afirma Vello.
Já o Santander mantém recomendação de outperform, equivalente a desempenho acima da média do mercado, e preço-alvo de R$ 85,25 para o fim de 2026.