Valorização de 130%? O que o Itaú BBA enxergou nessa ação do setor de construção
Ao contrário do que sugeriu um bancão gringo na última semana, as ações da Plano&Plano (PLPL3) podem mais que dobrar de valor nos próximos 12 meses, segundo o Itaú BBA. O banco reiterou a recomendação outperform, equivalente à compra, e o preço-alvo de R$ 15.
Em relação à cotação de R$ 6,51 usada no relatório, o valor representa um potencial de valorização de 130,4%.
A visão otimista foi reforçada após uma reunião dos analistas com o presidente do conselho de administração da construtora, Rodrigo Luna, e o diretor de relações com investidores, Eduardo Cerri.
Para o BBA, a recuperação da execução operacional pode mostrar que as ações estão excessivamente descontadas. Atualmente, a Plano&Plano negocia a apenas 2,8 vezes o lucro estimado para 2027, segundo os cálculos do banco.
O desconto ocorre depois de uma forte correção dos papéis. Em 12 meses, PLPL3 acumulava queda de 49,2%, desempenho 60,4 pontos percentuais inferior ao Ibovespa.
O que pode destravar a valorização de PLPL3?
Um dos principais gatilhos esperados pelo Itaú BBA é a recuperação das margens da construtora.
A administração da Plano&Plano prevê uma melhora gradual da margem bruta em direção a 35%, apoiada principalmente pelos projetos mais recentes. Esses empreendimentos devem substituir gradualmente os lançamentos antigos, que ainda carregam descontos comerciais e custos de construção mais elevados.
A empresa também está redesenhando seus projetos e aproximando sua estratégia comercial das práticas adotadas por concorrentes. A expectativa é que essas mudanças aumentem a velocidade de vendas no médio prazo.
Além disso, a Plano&Plano pretende ampliar sua operação em Goiânia, mercado considerado menos competitivo do que São Paulo.
Segundo o relatório, a companhia também começa a observar maior estabilidade nos custos de construção e espera alguma desaceleração nos próximos meses.
Concorrência pressiona vendas em São Paulo
Apesar do elevado potencial de valorização, o cenário operacional ainda impõe desafios.
O mercado de habitação popular em São Paulo ficou consideravelmente mais disputado. Entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do programa Minha Casa, Minha Vida na capital paulista giravam em torno de 30 mil unidades. Nos últimos 12 meses, esse número saltou para aproximadamente 90 mil unidades.
O avanço reflete a entrada de construtoras de média renda e de empresas de outras regiões. As faixas 3 e 4 do programa concentram a maior oferta, mas a faixa 2 também apresenta concorrência elevada.
A Plano&Plano lançou R$ 2,8 bilhões em projetos no segundo semestre de 2025, mas as vendas não acompanharam o volume esperado. Empreendimentos antigos também ficaram mais difíceis de comercializar, uma vez que exigiam entradas maiores dos compradores.
Como resposta, a construtora passou a priorizar o controle de estoques e conceder descontos, medidas que ajudaram as vendas, mas pressionaram as margens.
Lançamentos devem ficar estáveis
Diante do ambiente mais competitivo, a Plano&Plano deixou de projetar um crescimento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão nos lançamentos. Agora, a companhia pretende manter o volume próximo ao observado em 2025, concentrando-se em projetos maiores e na recuperação da rentabilidade.
O Itaú BBA também chama atenção para a postura mais seletiva da Caixa Econômica Federal na aprovação dos financiamentos habitacionais. Até o momento, contudo, os clientes da Plano&Plano não foram submetidos às novas entrevistas adotadas pelo banco público durante a análise de crédito.
Para o BBA, o potencial de valorização dependerá da capacidade da construtora de transformar as mudanças comerciais em vendas mais rápidas, margens melhores e recuperação da geração de caixa. Caso a execução avance como esperado, o valuation atual pode se mostrar excessivamente baixo.