Bancão gringo passa a tesoura em Plano&Plano (PLPL3) e manda vender; entenda
O Morgan Stanley rebaixou a recomendação da Plano&Plano (PLPL3) de compra para venda e cortou o preço-alvo da ação de R$ 17 para R$ 7,50, uma redução de aproximadamente 56%.
A mudança faz parte de uma revisão da cobertura do setor imobiliário brasileiro, na qual o banco adotou uma postura mais cautelosa diante das incertezas eleitorais e fiscais, dos juros elevados e do risco de desaceleração da economia em 2027.
A instituição também reduziu os preços-alvo da Cyrela (CYRE3), de R$ 29 para R$ 28, e da MRV (MRVE3), de R$ 8 para R$ 7. As recomendações para as duas empresas foram mantidas em neutra.
Segundo o bancão gringo, as construtoras dependem mais da execução de projetos futuros para justificar suas avaliações, o que aumenta a exposição das empresas ao desempenho da economia, à demanda por imóveis, aos juros e aos custos de construção.
No mesmo relatório, o Morgan Stanley ainda falou sobre sua preferência por shoppings e elevou a recomendação para Multiplan (MULT3).
Por que vender Plano&Plano?
A antiga tese favorável à Plano&Plano estava apoiada no forte crescimento da receita, sustentado pela atuação da companhia no segmento de baixa renda em São Paulo e pelo programa habitacional Pode Entrar.
No entanto, a maior parte das receitas relacionadas ao programa já foi reconhecida. Ao mesmo tempo, o MS identifica sinais de enfraquecimento da demanda por imóveis de baixa renda em São Paulo e um ambiente mais competitivo.
Os resultados considerados fracos no segundo trimestre de 2026 também levaram o banco a revisar suas projeções.
“Com a grande maioria das receitas do programa já reconhecida, sinais iniciais de demanda mais fraca no segmento de baixa renda de São Paulo e uma dinâmica competitiva mais desafiadora, vemos um cenário operacional mais difícil para a companhia”, afirmam os analistas.
Para 2026, a estimativa de receita da Plano&Plano foi reduzida em 4%, de R$ 3,85 bilhões para R$ 3,68 bilhões. A projeção para o Ebitda – indicador que mede o resultado operacional – caiu 29%, de R$ 571 milhões para R$ 404 milhões.
A estimativa de lucro líquido sofreu um corte ainda maior, de 49%, passando de R$ 405 milhões para R$ 208 milhões.
Para 2027, o Morgan Stanley reduziu a projeção de lucro da companhia em 51%, de R$ 531 milhões para R$ 260 milhões. Já para 2028, o corte foi de 42%, para R$ 422 milhões.
As estimativas de margem também foram reduzidas. Para 2026, a projeção de margem Ebitda caiu de 15% para 11%, enquanto a margem líquida esperada passou de 11% para 6%.
Além da demanda mais fraca e da concorrência, o Morgan Stanley chama atenção para a inflação dos insumos da construção, que levou o banco a reduzir as projeções de margem bruta da Plano&Plano.
A expansão da companhia para Goiânia, sua primeira entrada em um novo estado, também representa um risco adicional de execução.
“Esse cenário operacional mais desafiador e a expansão da Plano&Plano para Goiânia nos deixam mais cautelosos com a ação”, diz o relatório.
O banco ainda vê espaço para novas revisões negativas nas estimativas.
Apesar da mudança, o Morgan Stanley ressalta que não está pessimista com todo o mercado habitacional de baixa renda.
“Nossa recomendação para Plano&Plano é principalmente uma avaliação relativa. Com os riscos para os lucros ainda inclinados para baixo, vemos oportunidades com melhor retorno ajustado ao risco em outros segmentos do setor imobiliário”, afirma.
Construtoras dependem do “amanhã”
Na avaliação do Morgan Stanley, uma parcela relevante do valor das construtoras depende de projetos que ainda precisam ser desenvolvidos e vendidos.
Entre 30% e 60% do valor total das empresas do setor estaria ligado à capacidade de transformar terrenos e projetos futuros em resultados. Isso significa que as avaliações atuais dependem da manutenção da demanda, do acesso ao crédito e da execução das obras.
Parte dos ativos também está concentrada em recebíveis de unidades vendidas e estoques ainda não comercializados. Segundo o banco, os recebíveis representam cerca de 25% a 40% do valor dos ativos, enquanto outros 20% a 30% estão ligados a estoques cuja realização depende das condições futuras do mercado.
O cenário é especialmente desafiador para construtoras voltadas às faixas de média e alta renda. Dados apresentados no relatório mostram pressão sobre a demanda nesse segmento, em meio às taxas elevadas do financiamento imobiliário.
O banco também recomenda cautela com empresas mais alavancadas, que podem enfrentar maiores restrições financeiras caso os juros permaneçam altos por mais tempo.
Cyrela e MRV
Apesar da avaliação aparentemente descontada, o Morgan Stanley entende que a exposição da Cyrela aos segmentos de média e alta renda aumenta a sensibilidade da companhia ao crescimento econômico e às taxas do crédito imobiliário.
Já para MRV, o Morgan Stanley projeta que a empresa ainda registre prejuízo líquido de R$ 662 milhões em 2026, antes de voltar ao lucro em 2027, com resultado estimado em R$ 762 milhões.
O banco espera redução gradual da alavancagem, mas considera que a estrutura financeira da companhia ainda exige cautela. A relação entre dívida líquida e Ebitda é estimada em 2,47 vezes para 2026, com queda para 0,96 vez em 2027.
Para o Morgan Stanley, juros altos por mais tempo poderiam dificultar esse processo e aumentar as restrições sobre o balanço.
Confira as recomendações do Morgan Stanley:
| Empresa | Ticker | Recomendação anterior | Nova recomendação | Preço-alvo anterior | Novo preço-alvo |
|---|---|---|---|---|---|
| Plano&Plano | PLPL3 | Compra | Venda | R$ 17 | R$ 7,50 |
| Cyrela | CYRE3 | Neutra | Neutra | R$ 29 | R$ 28 |
| MRV | MRVE3 | Neutra | Neutra | R$ 8 | R$ 7 |