Varejo

Varejo: Como Magalu (MGLU3), Centauro (SBFG3) e Americanas (AMER3) se preparam para lucrar com a Copa do Mundo

10 jun 2026, 8:00 - atualizado em 08 jun 2026, 15:42
copa do mundo varejo
(iStock.com/jcamilobernal)

A Copa do Mundo de 2026 está para começar e o varejo, um setor que vem lidando com um cenário macroeconômico desfavorável, entra em campo com oportunidades ligadas ao consumo durante o torneio.

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O BTG Pactual avalia que o evento deve funcionar como um fato estrutural que impulsiona o comportamento do consumidor. Um estudo da Scanntech aponta um envolvimento de 95% dos brasileiros com o futebol, ainda que apenas durante a Copa do Mundo a cada quatro anos.

É justamente a conexão emocional com o evento que cria picos de consumo previsíveis atrelados aos dias dos jogos, diz o banco em relatório.

Vale destacar que, diferentemente de 2022, o cenário macroeconômico é de inflação mais baixa (cerca de 4,1% contra 5,8%), mas com taxa de juros mais elevada, além de maior incerteza global.

“Apesar das condições financeiras mais restritivas, o estudo sugere que o aumento da renda real e a dinâmica do consumo em casa (65% planejam assistir aos jogos de casa) devem impulsionar a atividade do varejo”, avalia o BTG.

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Na leitura do Safra, nomes como Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) estão bem posicionadas para se beneficiar do aumento das vendas de seus principais produtos, como televisores e linha branca.

Já a Netshoes, empresa pertencente ao ecossistema do Magazine Luiza, é apontada como uma das empresas mais favorecidas nas vendas de camisas da seleção brasileira e de produtos temáticos.

“Diferentemente de 2022, os problemas na cadeia de suprimentos da Nike deixaram de ser uma preocupação, enquanto outras marcas conseguiram atender à demanda por produtos mais acessíveis em um contexto de elevado endividamento dos consumidores”, ponderam os analistas do Safra.

Por dentro da Copa no varejo

Ao Money Times, Fernando Valente Canina, diretor comercial de tecnologia do Magazine Luiza, afirmou que o torneio mundial é um grande catalisador de todo o ecossistema – hoje composto por Magalu, Netshoes, KaBuM!, Época Cosméticos e Estante Virtual.

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“A nossa expectativa é que o evento impulsione e acelere o negócio, assim como ocorreu nas últimas Copas”, afirmou, acrescentando que companhia identificou o consumidor brasileiro em busca de televisores maiores, em um cenário de maior acessibilidade e desejo de reunir um grupo maior de pessoas para acompanhar os jogos.

De acordo com Canina, a demanda está acelerada principalmente pelas “Big Telas”, que são os modelos maiores que 65 polegadas. Sem abrir dados, o diretor afirma que o mês de maio já mostrou vendas expressivas tanto no e-commerce quanto na loja física.

Neste cenário, o Magazine Luiza antecipa e forma estoques adicionais, além de reforçar a estrutura logística, com foco em entregas especializadas, como o caso dos televisores.

Claudia Paoli, diretora de marketing, marcas próprias e licenciados da Centauro — pertencente ao Grupo SBF (SBFG3), que também opera a Nike no Brasil, – destaca que a Copa do Mundo estimula o engajamento dos consumidores e impulsiona categorias relacionadas ao futebol.

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Neste cenário, os produtos que mais se destacam são as camisas da Seleção Brasileira, tanto a amarela quanto a azul, a bola oficial da competição e os produtos da linha exclusiva de licenciados da CBF, de acordo com a executiva.

A preparação da companhia para o período envolve um planejamento integrado entre portfólio, operação e comunicação

“Do ponto de vista comercial, a companhia reforça sua estratégia omnichannel, garantindo acesso facilitado aos produtos tanto no digital quanto nas lojas físicas. O portfólio contempla desde as camisas oficiais da Seleção Brasileira até linhas exclusivas de produtos licenciados da CBF e itens inspirados na cultura do torcedor”, disse Paoli ao Money Times.

Paola Sinato, diretora comercial da Americanas (AMER3), que vende produtos diversos relacionados ao evento e que passa pela Copa de 2026 ao mesmo tempo em que segue trilhando a saída da reestruturação, afirma que neste ano o torneio tem um impacto relevante por ampliar o fluxo de clientes, aumentar a recorrência de compra e estimular o consumo em diversas categorias.

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“Nossa estratégia vai além do futebol e considera todo o comportamento de consumo associado aos momentos de encontro e celebração dos brasileiros dentro de casa. Por isso, reforçamos a Americanas como um destino completo para o torcedor, com um sortimento que reúne figurinhas, produtos de torcida, snacks e bebidas a eletrônicos e itens de utilidade doméstica”, disse.

Sinato destaca ainda a operação de figurinhas. A expectativa da companhia é superar a marca de 100 milhões de unidades vendidas ao longo de toda a temporada.

A Americanas observa o consumidor mais racional financeiramente, mas ainda preservando momentos de celebração coletiva durante o torneio mundial.

“Outro aspecto relevante são os picos de compra nas horas que antecedem as partidas, especialmente nas categorias de conveniência, como snacks e bebidas, onde há um aumento importante na demanda por itens de consumo imediato”, pondera a diretora.

A preparação da Americanas, segundo a executiva, envolve planejamento comercial, desenvolvimento de produtos, operações, logística de abastecimento e distribuição nas nossas cerca de 1.400 lojas.

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“A Copa deste ano traz uma dinâmica operacional diferente, com mais jogos e mais dias de duração, o que passa a exigir uma operação mais contínua, com reposições rápidas e rotas especiais de distribuição para acelerar o abastecimento, especialmente nas horas que antecedem os jogos”, diz.

O gol vem no segundo trimestre

Sobre os impactos da Copa do Mundo de 2026 no segundo trimestre do ano, a Centauro afirma que expectativa é positiva e a empresa já observa indicadores positivos nesse ciclo, com vendas de camisas e produtos licenciados da Seleção Brasileira em ritmo superior ao registrado no período equivalente do Mundial anterior.

“Diante desse cenário, a companhia estruturou um planejamento mais robusto em relação a 2022, e o desempenho observado até o momento está alinhado às expectativas internas”, diz a empresa.

No caso da Americanas, a varejista também observa uma movimentação positiva e a expectativa é que o evento traga um impulso importante para a operação neste período, uma vez que a Copa movimenta categorias, mas principalmente movimenta a socialização, o que tem impacto direto na frequência de compras e no consumo cotidiano do brasileiro.

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“Além disso, já notamos indicadores práticos desse impacto: os clientes que adquirem figurinhas, por exemplo, apresentam um ticket médio 7% superior e um aumento de 56% no número de itens por pedido, mostrando como a data impulsiona compras complementares e aumenta o volume das cestas”, afirma.

Na projeção do Magazine Luiza, o impacto mais forte da Copa deve se concentrar ainda no segundo trimestre do ano.

“O mês de maio é tradicionalmente o principal mês de vendas de televisores antes do torneio. A nossa previsão é que o pico de vendas ocorra entre os meses de maio e junho. Vale ainda ressaltar que essa Copa terá maior duração. São 39 dias, versus 29 dias no Qatar em 2022”, destacou a companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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